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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

A verdade como algo breve no curso do falso

  

Atualmente, os meios de difusão que se utilizam para divulgar mundo permitem atribuir à mentira uma eficácia nunca experimentada e, assim, fomos chegando a tempos de profunda enfermidade.

Giorgio Agamben explica o quanto a mentira se tem tornado uma finalidade da política, que utiliza as fake news de modo tão poderoso que ultrapassa a verdade que as poderia desmentir.

E cada vez mais a verdade só é nítida como algo breve no curso do falso.

As crises geradas pela mentira organizada estão permanentemente em curso e, de tal modo, em exaustiva trajetória que se constata que se aceita que se imponham severos e incontrolados poderes que nunca seriam tolerados noutros tempos.

Recordemos que Arendt já tinha concluído o quanto a condição que torna possível a mentira e o seu triunfo reside na sua capacidade de manipulação de massas, tornando-a capaz de negar factos por mais evidentes que sejam.

Derrida oportunamente alertou para o quanto é necessário não confundir erro com mentira, já que esta última pressupõe sempre uma intenção, e para que esta seja atingida, a mentira serve-se astutamente da verdade. E diga-se que a mentira tem uma história e uma função política medonha sob a forma de mentira absoluta.

Acreditamos ser nosso dever batalhar para que a política não deixe de ser fundada na palavra, para que a horrenda violência de uma permanente mentira não vingue. Acreditamos que se impõe igualmente o combate contra o relativismo generalizado, no qual assenta a pós-verdade. Esta, em inenarrável crescendo de opiniões, vem sendo constantemente adubada pela manipulação da realidade virtual e do algoritmo.

Enfim, há que impedir a possibilidade de a máscara poder vir a não esconder nenhum rosto.

E porque também eu

Quero viajar

Ciente de ser isso o que me resta na vida e em verdade

Estar livre nesse sentido

E poder ser o que mais equivale

À minha escolha

Teresa Bracinha Vieira

2 comentários sobre “CRÓNICA DA CULTURA

  1. Bom dia Senhora Professora Dra
    Teresa Bracinha Vieira!
    Adorei esta sua crónica!
    Que nos mantenhamos na linha de desconstrução de Jacques Derrida, e muito temos a fazer.

    1. Muito grata pela sua atenção ao texto e pelas suas palavras.
      Aproveito para dar conta de que apenas possuo uma licenciatura.
      Boas leituras são os melhores desejos.

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