1. COMO A UM FILHO
A mim, não é devido o prometido:
quem ontem prometeu nunca deveu,
nem pode uma promessa ter sentido
p´ra quem silente nunca a prometeu…
O que alguém me disse, talvez não diga
outra vez, jamais! Nem aconteceu
jurar-me amor, uma esperança amiga:
terei sonhado o afago que me deu…
Líquido, tudo passou, como a morte
passará, sem poder tirar-me a vida
que a luz de um gesto antigo me acendeu…
Seja-me curto o tempo e longa a sorte
da esp´rança – que não é se for perdida –
no amor que, além da vida, não morreu…
Camilo Martins de Oliveira
