3.
Mas um dia senhor
Podeis vós crer
Que um cavaleiro
Que há muito fora trovador
Cantava agora na ponta da sua espada
As dores que por tantos lugares deixara
De vários e diferentes amores
E de tanto
Se doer e se amar amando
Foi ele um dia pedir a mão
Em pranto
De quem já lha não concedia
Nem ao céu
Pois era outro o tempo aquele que fora
E o que passara, o bastante
Tudo e de tudo se cuidou, descuidando
E a donzela casta de tão impura
Esperara mas não recusara
O matrimónio celebrado com a lua
Seta
Beijo
Abraço
Entrega
E nua em seu vestido
Branco
Teresa Bracinha Vieira
2015
4.
E não morre amor que foi amor
E não é devido o prometido em chama
Pois não sabeis percorrer o caminho
Da promessa, senhor?
Aquele caminho que nos regressa
E nos esvai?
Então que sabeis do que não aconteceu
E ainda assim em vossas mãos regaço é?
E a morte ? A morte não tira a vida não
Digo-vos eu
A morte só fica com o que resta
Da vida que se deu doando e se deu doendo
E se ofereceu vivendo
Escutai que só o amor perdido é vivo
Só o amor de esperança é desejado
E muito, tanto, se afasta a luz
Quando é desabrida a caça
E quente o pranto
Teresa Bracinha Vieira
2015

