Há silêncios, quando longe soam
as cordas que te ouvimos dedilhar:
mais que lembrança, saudade é lembrar
a bondade das coisas que nos doam…
E foi dádiva e dor a tua vida,
tão cheia dos silêncios que tocaste,
no modo discreto em que acompanhaste
outros sons, só por graça perseguida…
E guardaste o teu génio convencido
no íntimo de ti, livre e ferido,
como quem já viu mundo e não se ilude
com ruídos ou glórias exclamadas,
pois que o vibrar das cordas, guitarradas,
só num coração nosso tem virtude…
Camilo Martins de Oliveira
