23.
Embora possa ser verdade
Que os deuses me deram frota
E que eu à força da espada
Enfrentei a minha rota
Nada te pode fazer pensar ou sentir
Que a rocha me não rasgou
Que o machado me não feriu
Que a lança me não tocou
Pois no peito está sempre o coração
Aquele que tanto se rompe
Nas vitórias em que morre
Nas verdades em que habita
Aquele que depois de vencido
Chama a armada de volta
E tão perdido mal se nota
Como treme, geme
E não foge
Teresa Bracinha Vieira
2015
