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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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TEATROS E CINEMAS NOS 50 ANOS DA MORTE DE CASSIANO BRANCO

 

Assinalamos hoje o cinquentenário da morte do arquiteto Cassiano Branco (1897-1970) no que concerne a sua criatividade técnica e artística respeitante a salas de espetáculo.

 Há cerca de 5 anos, tivemos aliás ensejo de referir aqui o então chamado Cine-Teatro Império, projetado por Cassiano com intervenções arquitetónicas de Frederico George e Raul Chorão Ramalho, inaugurado em 1952 com o filme de René Clair intitulado “La Beauté du Diable”.

E assinalámos na altura a atuação do também então chamado Teatro Moderno de Lisboa, iniciativa de Carmen Dolores, Rogério Paulo, Armando Cortez e Fernando Gusmão, o qual, entre 1961 e 1965, muito contribuiu para uma modernização cultural do espetáculo e da cultura inerente.

 Aí se destacou aliás a estreia da peça “O Render dos Heróis” de José Cardoso Pires, depois retirada de cena pela censura. Trata-se da evocação histórica da chamada Maria da Fonte realçando os aspetos e compromissos de movimento popular, que neste aspeto histórico assume a veracidade.

E é oportuno então realçar que as indicações e notas de cena conciliam-se com a interpretação histórico-ideológica, mas ao mesmo tempo não afetam de modo alguma a expressão teatral. Cardoso pires tinha efetivamente uma significativa vocação dramática/dramatúrgica, isto é, de técnica de cena e de espetáculo.

E vale a pena então reproduzir o que aqui escrevemos há cinco anos a propósito deste espetáculo.

Pois efetivamente a peça «representa a revolta popular da Maria da Fonte, destacando-se a recriação épica da força do povo no movimento político e a adequação de psicologias e condutas independentemente das motivações. (cfr. “Teatro em Portugal” 2012). Levá-la à cena constitui um dos “verdadeiros atos de resistência” à censura, como diz Luís Francisco Rebello… (in “Breve História do Teatro Português”, 2000; cfr. também Maria Regina Rodrigues “A Situação do Teatro Português na Década de 1960”; Tito Lívio e Carmen Dolores “Teatro Moderno de Lisboa”, 2009.

E assim é!

 

DUARTE IVO CRUZ

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