A arquitetura gótica era muito admirada por John Ruskin, pela sua imperfeição, mistura e impureza expressiva.
‘…go forth again to gaze upon the old cathedral front, where you have smiled so often at the fantastic ignorance of the old sculptors: examine once more those ugly goblins and formless monsters and stern statues, anatomiless and rigid; but do not mock at them, for they are signs of the life and liberty of every workman who struck the stone; a freedom of thought, and rank in scale of being, such as no laws, no charters, no charities can secure; but which it must be the first aim of all Europe at this day to regain for her children.’, John Ruskin In ‘The Nature of Gothic‘
John Ruskin acreditava que a catedral gótica era a representação mais completa da sociedade medieval.
Para Ruskin, a arte deveria ser uma apreensão visual do universo criador. O artista era por isso, uma revelação, uma demonstração da infinita criação divina. A seu ver, a arquitetura tem a capacidade de revelar o espírito, a moral e tudo o que precisamos de saber sobre uma determinada sociedade. A sociedade da idade média era uma sociedade cristã e o gótico era uma forma intrinsecamente cristã.
‘It is not enough that it has the Form, if it have not also the power and life. It is not enough that it has the Power, if it have not the form.’, John Ruskin In ‘The Nature of Gothic‘
A arquitetura gótica era muito admirada por Ruskin, pela sua imperfeição, mistura e impureza expressiva. Na arquitetura gótica, o trabalho manual do indivíduo está completamente comprometido e envolvido com o material.
Para Ruskin, os elementos característicos mais admiráveis no gótico são: a rudeza e a incorreção; o amor pela alteração; o amor pela natureza; a imaginação confusa; a severidade e a obstinação; o excesso e a redundância; a mistura das partes e a união do todo.
Ora, Ruskin acreditava que o gótico era um indício da autonomia da expressão individual – mas lembrava sempre que nada era feito para satisfazer um prazer puramente pessoal, porque todos os indivíduos contribuíam à sua maneira para uma expressividade e uma intenção muito maior, despoletada pelo amor a Deus.
Na arquitetura gótica não existia um desejo de controlo, não existia a imposição de uma ordem. O gótico era uma tentativa de trabalhar com a irregularidade e a com as capacidades específicas de cada indivíduo e por isso com as formas mais naturais. E para Ruskin, toda a sociedade que substitui as formas naturais pelas formas áridas e excessivamente regulares é uma sociedade que precisa de reforma. Na opinião de Ruskin, a sociedade do gótico, ao ter sérios propósitos espirituais, ansiava ser verdadeiramente ligada à natureza.
A superioridade de uma civilização não pode estar relacionada com um ideal de beleza mas sim deve sobretudo transparecer o profundo espírito individual e livre que está por detrás de cada criação, por mais insignificante que seja. O artista/artesão mais verdadeiro não é uma máquina que repete com precisão os seus gestos. A sociedade mais próspera é aquela que aceita as imperfeições e as irregularidades de todos os indivíduos, sem exceção. E por isso Ruskin, pensava que a arquitetura gótica transparecia sempre o prazer de fazer, de executar e de projetar – refletia constantemente o valor específico de cada espírito.
‘You must either make a tool of the creature, or a man of him. You cannot make both. Men were not intended to work with the accuracy of tools, to be precise and perfect in all their actions. (…) If you will make a man of the working creature, you cannot make a tool. Let him but begin to imagine, to think, to try to do anything worth doing; and the engine-turned precision is lost at once.’, John Ruskin In ‘The Nature of Gothic‘
Ana Ruepp