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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A FORÇA DO ATO CRIADOR

 

Sobre a questão da forma.

 

A forma é a expressão exterior do conteúdo interior‘, Wassily Kandinsky, 1912

 

No texto de Kandinsky ‘Sobre a questão da forma.‘, lê-se que o impulso interior conduz o espírito criador e permite-lhe chegar à forma. O essencial, na questão da forma, é saber se ela nasceu ou não de uma necessidade interior.

 

Kandinsky afirma que o inevitável acontece quando chega a sua hora. Não é, porém explicável esse momento. Para Kandinsky tudo depende de um conjunto de condições necessárias ao amadurecimento do impulso interior. Esse impulso ou intuição recebe o poder de criar, no espírito humano, um novo valor. 

 

‘A necessidade cria a forma’, diz Kandinsky. O artista usa a forma para ir ao encontro do seu espírito. A experiência individual afeta a transcrição desse conceito mental novo – porque a forma tem o selo da personalidade do criador. O absoluto pode estar na forma e a forma está ligada ao tempo. É certo que há o espírito do tempo e os movimentos, mas o fundamental está no valor acrescentado que o artista pode trazer. Por isso o espírito criador tem a capacidade de ligar o espaço, o tempo e as suas condições concretas à sua experiência de vida. Kandinsky fala de um valor espiritual em busca de constante materialização: ‘O véu que envolve o espírito na matéria é frequentemente tão espesso que, em geral, poucos homens são capazes de notar.

 

Apenas subsistem as criações artísticas autênticas, aquelas que possuem uma alma (conteúdo) no seu corpo (forma).‘, Kandinsky

 

Na obra de arte não há código ou programa exterior. É uma realidade vivida e cheia de vida. No valor novo, que nasce de uma grande liberdade, ouve-se a voz do espírito. Uma força própria manifesta-se sempre na obra de arte.

 

Mais vale tomar a morte pela vida do que a vida pela morte, mesmo que tal ocorra uma única vez. Nada poderá crescer a não ser num solo solto. O homem livre trabalha para se enriquecer com tudo aquilo que existe e para deixar agir sobre si a vida de cada coisa – ainda que seja a de um fósforo meio consumido. Apenas a liberdade nos permite acolher o futuro.’, W. Kandinsky 

 

Ana Ruepp

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