
1. Foi há 10 anos que Raimon Panikkar nos deixou: no dia 26 de Agosto de 2010, com 91 anos, em Tavertet, perto de Barcelona. Foi um dos espíritos mais clarividentes do século XX, com um pensamento original, que a presente situação pandémica e a urgência de um novo paradigma de desenvolvimento e uma nova política no contexto de uma terrível crise global, económica e social, que inclui a necessidade de um pacto ecológico para preservar a casa comum, tornam ainda mais actual. É por isso que não podia deixar de voltar a ele, “um mestre do nosso tempo”.
2. Só estive com ele uma vez. Em Barcelona, em 2004. Tinha uma presença cálida, com um sorriso luminoso. E era simples. Uma vez, uma aluna minha, de Barcelona, disse-me que queria muito fazer um trabalho académico sobre o pensamento dele. Achei bem e disse-lhe: “Agora, nas férias, vá falar com ele…”. Ele deu-lhe 40 minutos e ela, uma jovem, veio fascinada e fascinou os colegas com a descrição do encontro e a exposição do trabalho.
3. Panikkar era uma das maiores autoridades mundiais nas questões do diálogo multicultural e inter-religioso. As suas raízes genéticas, religiosas, académicas, geográficas, deram um contributo decisivo para ser ponte entre mundos: o pai era hindu e a mãe catalã católica; era doutorado em Filosofia, Química e Teologia; viveu uma parte da sua vida na Europa, outra na Ásia, uma terceira na América. Ensinou em muitas universidades, incluindo Harvard. Deixou mais de 50 livros, em várias línguas, que dominava. No meio de uma vida agitada e aparentemente dispersa, manteve, no Uno, a serenidade do monge. É seu o pensamento, retomado pela encíclica de Francisco, Laudato Sí, de que tudo está interligado.
Padre católico, regressando da Índia, disse que voltava hindu e budista, sem que isso significasse deixar de ser cristão: pelo contrário, agora era mais cristão. Por isso, para lá do diálogo inter-religioso, defendia o diálogo intra-religoso, isto é, aquele diálogo que cada um deve estabelecer dentro de si mesmo entre as grandes religiões, cuja herança pertence a todos.
Depois dos períodos de isolamento e ignorância recíproca, indiferença e desprezo, condenação, perseguição e conquista, coexistência e tolerância, chegou como “necessidade vital” o tempo do diálogo entre as religiões. É preciso superar o exclusivismo, que afirma que só uma religião é verdadeira (a minha), rejeitando as outras.
O diálogo autêntico só pode ter por base o são pluralismo: todas as religiões são presença do Absoluto, do Mistério salvador, mas nenhuma o possui definitivamente. Este diálogo é constitutivo do ser humano enquanto tal, pois o Homem não é uma mónada fechada, mas uma pessoa, feixe de relações. Por isso, a religião tem de incluir também o diálogo com a Terra, a que chamou ecosofia. Este é o pensamento e a acção implicados numa concepção cosmoteândrica.
Expressão deste pensamento e diálogo de um homem universal foi o seu funeral: numa celebração solene e íntima, seguiu o rito exclusivamente católico, mas Panikkar deixou instruções precisas para que as suas cinzas fossem repartidas entre a família, o cemitério de Tavertet e o rio Ganges, na índia.
4. Já Platão distinguiu entre pan, o todo como soma das partes, e holon, o todo estruturado, mais do que a soma das partes.
Há muita dificuldade em pensar holisticamente, sobretudo porque a razão moderna é objectivante, analítica, separadora, tendo como seu modelo a máquina, que decompõe para refazer e assim dominar. No próprio pensamento religioso, em vez de religação, encontramos frequentemente visões dicotómicas e dualistas: este mundo e o outro, o aquém e o além, a alma e o corpo, o divino e o humano, o interior e o exterior, os de dentro e os de fora, os crentes e os não crentes…
Neste contexto, Panikkar afirmava com razão que é preciso ultrapassar e superar “três dualismos, seis dicotomias e três reducionismos”. Torna-se imperioso unir o que tem andado separado. O distinto e o diferente não podem significar separação.
Os dualismos são: Deus e o homem, o Homem e a natureza. Não se trata agora de confundir, mas de religar. As seis dicotomias são: alma e corpo, masculino e feminino, indivíduo e sociedade, teoria e práxis, conhecimento e amor, tempo e eternidade. Também aqui não se trata, evidentemente, de reduzir tudo ao mesmo, mas de tomar consciência de que uma realidade não existe sem a outra e de mostrar a sua relação intrínseca. Os três reducionismos são: “o antropológico, que reduz o Homem a um animal racional; o cosmológico, que reduz o cosmos a um corpo inerte; o teológico, que reduz a Divindade a um Ser transcendente”. Impõe-se superar estes reducionismos, porque o Homem não é redutível a animal racional, e, quando se reduz o cosmos a um corpo inerte, esquece-se a sua dimensão sagrada e viva, e o modo da transcendência de Deus só pode ser este: no mundo, Deus é transcendente ao mundo, infinitamente transcendente enquanto infinitamente presente.
Tudo está em relação com tudo. Ser e ser em relação identificam-se. Não se trata, portanto, de anular as diferenças, já que a unidade sem a diferença seria a mesmidade morta, como as diferenças sem a unidade se anulariam no caos. Assim, a religião do futuro tem que religar o que tem andado separado: Cosmos, Deus e Homem, como se diz na palavra cosmoteândrico e na sua obra, traduzida para português: A intuição cosmoteândrica. A religião do terceiro milénio. Tudo está interligado.
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN | 21 NOV 2020
A religião, a fé os dogmas, estão ligados desde o seu principio à criação humana, seja qualquer seja o Deus, em Portugal imperou a Igreja Católica Romana e Apostólica, durante muitos séculos, fomos para guerras para lutar e manter a nossa fé, julgávamos todos nós que seria isso, pois, os homens das Igrejas são corruptos, mentem as pessoas, para quê ?
Numa eventualidade de termos uma mudança de regime, não a que o Sr. André Ventura fala constantemente de mudança para uma quarta Republica, eu não pretendo nada de Republicas, acho que já deu para perceber que destruíram o Povo, com as ditas democracias, o voto e que as coisas da vida pagamos sempre, até quando morremos a Igreja no seu melhor cobra se disso, exige dinheiro, quando o seu fundador, foi contra os negócios dentro de Templos. Esquecem se disto.!
Aquando da nova implementação da Monarquia Portuguesa, a Igreja Católica Romana e Apostólica, não vai entrar, não os quero cá, não.
As pessoas, podem continuar a ter a sua fé, a sua religiosidade, mas sem a mão da Igreja Católica Romana e Apostólica, e porquê esta minha reação, os homens da Igreja desde 1522 fizeram ERROS grosseiros, e apoiaram a destituição de Reis Católicos na substituição de usurpadores como os Bourbons e Orleans.
A fé continuará em Portugal, sem negócio para se enterrar alguém, sem lucrar da morte das pessoas, as almas todas vão para os caminhos que Deus decidir, o sr. Padre Borges, já se encontrou com os milhões de pessoas que morreram ? encontrou seus irmãos de fé do outro lado ? Deus escreveu 27 livros e imprimiu os onde, Deus ditou as regras, as leis, as ordens que aparece no vosso livro sagrado ?
Em Portugal aquando da monarquia, a religião, será aquela que não se lucre com a vida das pessoas, com a falecimento das pessoas, em 1755 em Portugal que surgiu o primeiro cemitério público para sepultar os nossos entes queridos, antes eram sepultados em valas comuns, queimados os corpos, e pagava se à Religião moedas para comprar a viagem para o outro lado.
A religião não deve lucrar com a fé das pessoas, eu desafio a qualquer padre que digam aqui, quanto lucram por um dia em Fátima dia 13, Jesus Christo era contra isto.
Acabou a festa de cobrar a almas perdidas, este é o meu entendimento e que venha a Monarquia Portuguesa.
“O diálogo sério é sempre de saudar!”.
Sabe porquê que a Igreja Católica Romana e Apostólica teve dissidentes e que não tiveram mão sobre a Alemanha do Luterismo, do Calvinismo, e de outras ?
A religião teve estes dissidentes, porque meteu se na politica, nas negociatas, a maior multinacional de armamento veja a quem pertence, aqueles que ironicamente querem a paz, fazem a guerra, os mesmos de sempre. Descubra a quem pertence e vá até ao fim e fique bem sentado para não cair, recentemente descobriu se que 90% do fundo do Vaticano pertence a organização criminosa que lá tem o capital, descubra quem é, se eu sei os bispos também sabem.
A fé é outra coisa, é um acalmar da nossa alma, eu queria muito que os Judeus voltassem para a sua origem, existem desde 744 em Portugal e os ensinamentos são judaicos e não da cristandade.
Uma prova do nascimento de Portugal em 744
Adefomfùs Rex, Petri Ducis filius,qui de Recaredi Regù Gothorum ffirpe defcemdit. & Chartâ Odoarii Epifcopi è tabulario Lugcnfi quae fic habct, IDeus &c. Diva memoriae Primcipem Domimum Adefomfùm , im/edem illius dilatavit, quia ipfe erat de firpe Regi, Recaredi & Ermemegildi. licet probare non poffimus, quod hanc ammo 744 (quo Alfonfus anno demum 757 denatus, 7Divae memoria Princeps dici non poterat) datam putas. Lucæ etiam Tudenfi s & Roderico Toletano, * qui Petrum Alfonfi Catholici patrem ex Recaredi Regis progemie fuiffe fcripferunt, confentimus. non tamcn eo nos adiget eorum au&oritas, ut idipfum regnum, quod Recaredus & pofteri ad annum ufque 7t4tenuerant, Pelagio & Alfonfo paruiffe demus: Illi enim, Alanorum & Suevorum regno everfo, per totam Ę , primamque Narbonenfem imperium promoverant ; his nihil in Gallia Narbonenfi, quam Carolus Martellus Mauris cxtorfit ; in Provincia Tarraconcnfi, quæ tota Francis primum, ac cxinde Navarræ & Aragonum Regibus , & Barcinonis Comitibus paruit, nihil in Carthaginenfi & Bætica, Mauros ubique (fi Caftellæ Comitatum excipias) tyrannos paffis ; Nihil in Lufitaniæ & Gallæciæ parte, quae Maurico jugó excuffö, Portugalenfe regnum fundarunt, obvcnit ; fed inÉ alC12© * lib. 1. c.$. lib. 13.c.18. * lib.13.c.1o. I I. s lib. 4. 4 lib.4.
Guimaraes não é o nascimento do reinado de Portugal, não é, aliás Vimaranes vem Compostela em 965 e Vimarae é a minha família
exfamilia Vimarae,cuius nomcnlitcris proditum nó inueni.Hica Vcremundo Regepropter ecclcra fua vinculis traditus eft.Hæc omnia exhiftoria Compoftellana. 965. Ranimirus morbo corrcptus obiit Legionc, conditufquc cft in monafterio Deftria| nae,cuius iam mentiofa&a eft:dcccffit vero fine libcris. Proinde regni fucceffioad Verenundum Ordoniitertii filiurn lege rediit,qui rcgnauitannis feptemdecim. Interea Al- coraxis Rex Hifpalcnfis Portugalliam
A fé existira sempre sem a Igreja católica
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