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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

  


CI – PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO LINGUÍSTICA

Entre os princípios fundadores da nossa cultura civilizacional, sobressai o princípio geral da não discriminação do homem pelo homem, em que se inclui o princípio da não discriminação linguística.

Como organização plurinacional de maior responsabilidade quanto ao futuro e estatuto de todas as línguas, a UNESCO definiu, como regra oficial, que todos os idiomas, por inerência, têm a mesma dignidade, o mesmo merecimento e valor, inclusive para efeitos de proteção legal. Cada língua é um mundo muito especial, uma janela singular do pensamento humano aberta sobre o nosso planeta e ao mundo.

Em síntese, a diversidade linguística é um tesouro cultural da humanidade, que há que preservar. Daí que a extinção de uma língua, qualquer que seja, é uma perda irremediável.

Em paralelo com todos os seres vivos, entre eles os humanos, as línguas fazem-se de experiência, relacionamentos e permanência, vivendo, convivendo e sobrevivendo, mas também nascem, crescem e morrem, casam-se, misturam-se, reproduzem-se e esterilecem.

Se uma língua funciona como um organismo vivo, tem o seu tempo vital, estando a história da humanidade repleta de exemplos de idiomas que chegam, substituem-se a outros, impedem o desenvolvimento de línguas locais, levam à sua extinção, enriquecimento, emagrecimento, dão-lhes valor acrescentado, inclusive em termos recíprocos.

Consentir, porém, na discriminação linguística, em termos objetivos e a qualquer título, é algo que deve ser censurado e evitado, é transigir com a glossofobia, atribuindo uma capacidade glotofágica a certa língua para, em simultâneo, se substituir a outra, provocando a sua morte prematura e extinção.

Permitir que o português seja preterido por um idioma estrangeiro ou por um clube de línguas tidas (supostamente) como mais agressivas e coloquiais, em termos de estatuto ou de praxe, é aceitar a glossofobia, contribuindo para a sua discriminação pela negativa, dizendo sim à endo-glossofobia quando são os próprios falantes nativos a fazer esse culto no seu dia a dia.

Precursores da UNESCO, pela excelência identitária da nossa língua foram, entre nós, muitos nomes da clássica e atual literatura portuguesa, a que se juntam os novos pioneiros lusófonos que a enriquecem criativamente com novos vocábulos ameríndios, americanos, africanos e asiáticos, num valor adicionado que a particulariza, antecipando outros voos onde diversidade linguística se concilia com o princípio da não discriminação linguística.     


16.06.23
Joaquim M. M. Patrício

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