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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XXVI – OS DOIS OCIDENTES


No ocidente há dois ocidentes: a Europa e os países descendentes da Europa, por exemplo, os Estados Unidos da América, o Brasil e a Austrália.

 

O passado colonial teve um papel preponderante na formação e consolidação de espaços, globalmente dispersos e suficientemente amplos em termos demográficos e territoriais, o que originou que os atuais quatro idiomas ocidentais mais falados mundialmente sejam o inglês, o castelhano, o português e o francês.

 

A revolução industrial, iniciada em Inglaterra, contribuiu para a sua afirmação como potência e para o seu progresso económico, este extensivo a algumas das suas colónias, desenvolvimento de que beneficiou a França ou as regiões que deram lugar à Alemanha, embora apenas duas línguas mantivessem a condição de línguas dominantes: o francês e o inglês. O que foi reforçado com a admissão de ambas nas conversações da Conferência de Paz que veio a findar com a redação do tratado de Versalhes escrito em francês e inglês, servindo de primeiro passo para que fossem as duas línguas oficiais da Sociedade das Nações.

 

Nos novos países, antigas colónias europeias, onde foram os próprios descendentes dos colonos europeus que tomaram em mãos o poder e o destino político desses territórios, sem participação das populações indígenas, não era um problema a escolha de uma língua, dado que não era um dilema a resolver para os seus novos dirigentes ou elites, uma vez o idioma materno da potência colonizadora ser o dos novos colonos e países independentistas. Foi o que sucedeu na América do Norte, Central e do Sul, na Austrália e Nova Zelândia, ao invés do que sucedeu com as antigas colónias africanas e asiáticas, com dirigentes nativos, umas vezes optando, e outras não, pela língua do colonizador.

 

Quando a Europa perdeu estatuto, nomeadamente após o advento da segunda guerra mundial, deixando de ser um ator ativo em termos políticos, houve uma espécie de justiça imanente dos países emergentes, começando a impor o seu modelo.

 

Há modelos e países emergentes como a China, a Índia e o Brasil. Destes três o único que nos tranquiliza, a nós ocidentais, em termos de transferência e transmissão sucessória, é o Brasil, uma vez tomar como modelo e referência o ocidente, apaziguando-nos como potência emergente, dado ser aquele que agarra mais de perto as caraterísticas do mundo ocidental.

 

Se a Europa é o antigo e velho ocidente, uma espécie de museu vivo em termos históricos, os seus descendentes eurocêntricos e sucessores mais diretos são o novo ocidente, um outro ocidente, desde o Canadá, Estados Unidos, Brasil, Argentina, até à Austrália e Nova Zelândia. Exemplificam-no novas regiões e novas localidades com nomes em homenagem ao velho ocidente, como Nova Inglaterra, Nova Escócia, Nova Iorque, Nova Jersey, New Hampshire, Nova Orleães (Estados Unidos), Óbidos, Alenquer, Almeirim, Santarém, Bragança, Caxias, Oeiras, Valença, Belmonte, Campo Maior (Brasil), Córdova (Argentina) e Newcastle (Austrália). A que acrescem nomes cristãos, importados da Europa: São Paulo, São Salvador, Santa Catarina, São José (Brasil), São Francisco, São Luís, São Bernardino, Santo António (Estados Unidos), Santa Fé (Estados Unidos e Argentina), entre tantos outros.  


04.07.2017

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

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