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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XXXIII – CONVIVENDO ENTRE O NACIONAL E O INTERNACIONAL

 

A nossa integração na Europa não deve implicar a nossa dissolução como nação.

 

Não podemos esquecer a nossa dimensão histórica, atlantista, lusíada, lusófona da portugalidade. Esta nossa dimensão abriu-nos ao mundo, pelo que não podemos estar só virados para a Europa.

 

A língua portuguesa é um exemplo exemplar de uma apetecível e saudável convivência entre o nacional e o internacional, dada a sua dimensão identitária, de coesão, lusíada, de disseminação pelos descobrimentos, de diáspora portuguesa, lusófona e contemporânea, intercontinental, transnacional, transoceânica, migratória, miscigenada, pluricêntrica, pluricultural, global, internauta e de exportação.   

 

O português não é um idioma menor, mas é um idioma menorizado no plano multilateral a nível internacional. Embora tenha um número crescente de consagrações a nível formal em várias instituições internacionais, não tem, adequada e proporcionalmente, a desejável aplicação prática. E são muitos os portugueses que o promovem, ao usarem outras línguas e deixarem-se deslumbrar por isso, talvez porque julguem ter uma receção mais simpática e afetuosa pelos destinatários, mas secundarizando o português, mesmo quando desnecessário. Apesar de mais falada que outras, há-as menos faladas com maior consagração formal, como o italiano e o russo.

 

Se uma língua para ser verdadeiramente cosmopolita e internacional tem de ser falada e  ouvida nos fora internacionais, deixando de ser um idioma regional, local e  paroquial, não pode servir apenas os seus nacionais e utentes internos, nem contribuir para o culto e manutenção do uso confidencial da língua.

 

Tem de se acreditar nela como uma partilha total, sem graus de pertença, com tipos diferentes de gozo, uso e fruição, desde língua materna, oficial, segunda, estrangeira, internacional, global e de exportação. 

 

É uma alteração fulcral a operar, dada a sua internacionalização, deixando de ter pertenças e sentimentos de posse exclusiva, sendo o preço a pagar pela sua expansão, permanência e subsistência no longo prazo.

 

E entre o que nos diferencia, prestigiando-nos, e universaliza, internacionalizando-nos, numa coexistência entre o que somos e o que desejamos ser em interação com os outros.

 


24.04.2018

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

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