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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XLII – LÍNGUA E CULTURA

 

A cultura é a guarda avançada do imperialismo mental.

 

A língua é a ponta de lança dessa guarda avançada.

 

O inglês, como primeira língua depois do idioma materno de cada falante, promove produtos culturais que refletem o perfil do capital mundial e da potência dominante: Disney, Coca-Cola, Mac Donald, Microsoft, Google.   

 

No atual quadro do imperialismo linguístico, o inglês é a língua dominante por excelência. 

 

As outras são as línguas dominadas. 

 

Em Portugal, a receção do inglês foi promovida e facilitada pelo cinema, pela televisão, pela edição fonográfica e sua veiculação e disseminação através da rádio.

 

No nosso país, a opção em legendar para português, em vez de dobrar os filmes exibidos, quer no cinema ou na televisão, fez com que o cidadão comum se habituasse a ouvir, no idioma original, a cinematografia e séries americanas e anglófonas em geral, razão pela qual a língua mais ouvida nos media passasse a ser, de modo involuntário e subtil, o inglês. Por motivos de economia de meios e custos, e não por razões estratégicas, passou a ser o idioma estrangeiro mais familiar. 

 

Com a chegada da música pop, em inglês, suplantando a difusão musical radiofónica em português, consolidou-se, nas gerações mais jovens, uma relação sinonímica entre modernidade e língua inglesa, o que é reforçado, no nosso tempo, pelas novas tecnologias de ponta e publicações de investigação e natureza científica do mundo académico.

 

Enquanto o inglês passou a ser uma janela para o mundo futuro, o francês passou a ser associado ao idioma estrangeiro dos mais velhos, das enfadonhas e antigas elites de outrora, algo a evitar. 

 

Portugal, a tal respeito, não se diferenciou significativamente do resto do mundo, embora países como a Espanha, França e Alemanha, dobrem filmes e séries.

 

E se a língua portuguesa não está em questão dentro do espaço da comunidade dos países lusófonos, dissolve-se no universo das restantes línguas faladas no nosso planeta, num laboratório geopolítico de que em certas situações é refém como cobaia, como na Europa da União Europeia e do Conselho da Europa.

 


09.10.2018
Joaquim Miguel de Morgado Patrício

 

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