auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

ATORES, ENCENADORES (XIII)

teatro d arte.JPG

OS 60 ANOS DO TEATRO DE ARTE  DE LISBOA

Completam-se no dia 7 de março próximo exatos 60 anos sobre a estreia do Teatro de Arte de Lisboa (TdAL), companhia que, em diversas temporadas, com irregularidade desde 1955-56 até ao inicio dos anos 70,  levou ao Teatro da Trindade um repertório  renovador e um elenco de primeira qualidade para o  nosso meio artístico, sobretudo na época.  Mas mais: desenvolveu uma ação coerente e relevante de atualização e reflexão da cultura teatral.

O TdAL foi fundado e dirigido por dois escritores e investigadores, Orlando Vitorino (1922-2003) e Azinhal Abelho (1911-1979), cada um deles com carreiras de investigação e reflexão estética válida e diversificada para lá da atividade teatral. Ambos se integram num movimento que globalmente pode ser identificado num quadro de estudos e criação filosófica de ponderação e análise de raiz portuguesa. Estiveram também ligados à realização cinematográfica. Azinhal além de uma obra poética assinalável, desenvolveu um notável trabalho de pesquisa e recuperação de peças e textos tradicionais nos 6 volumes de ”Teatro Popular Português”.

 Mas  devemos recordar que Orlando Vitorino é autor de  ensaios  integrados no movimento chamado da filosofia portuguesa que a partir do final dos anos 70 estudou e afirmou um pensamento de raiz nacional, na linha de António Quadros, António Braz Teixeira, Afonso Botelho, Álvaro Ribeiro, José Marinho, e outros mais.       

Mas voltemos ao TdAL. É desde logo de realçar a contemporaneidade do repertório, com esporádicas exceções, mas sempre de dramaturgos relevantes.

Vejamos, nesse aspeto alguns espetáculos. Desde logo, o primeiro, “A Casa dos Vivos“ de Graham Green: e podemos confirmar que, na época (e de certo modo ainda hoje) o autor é bem  pouco conhecido como dramaturgo, e até não só entre nós. O TdAL estreou depois peças de Garcia Lorca (“Yerma”), Kesselring (“Arsénico e Rendas Velhas”), Priestley (“Já Aqui Estive”), Ugo Betti (“Os Fantasmas”), Brien Fiel (“Amantes de Triunfantes”), JacK Richardesosn (“O Carrasco, o Enforcado e a Forca”), Tankred Dorste (“A Curva”), entre  outros, incluindo ”Quando a Verdade Mente” de Costa Ferreira.

E também as duas peças fulcrais de Orlando Vitorino, “Nem Amantes nem Amigos” (1962) e “Tongatabu” (1965), ambas marcadas pela reflexão filosófica que é comum a toda a sua criação.   Na primeira, o personagem-ator Rafael declama passagens da “Alegoria da Caverna”. E na segunda, reforça-se uma perspetiva existencial da vida no confronto e na alternância de aventura e rotina.

Mas importa agora evocar os elencos sucessivos desta companhia: e diga-se desde logo que o conjunto de atores e atrizes constutiu o que de melhor havia nessa altura na cena nacional, ao nível também do Teatro Nacional de D. Maria II. Logo no espetáculo de estreia assim foi: Maria lalande, Alves da Costa, Josefina Silva, Brunilde Júdice, Samwel Dinis – à época Diretor da Seccção de Teatro do Conservatório Nacional – Constança Navarro, Adelina Campos. E ao  longo da temporada, vamos encontrando, a partir desde núcleo central, uma multiplicação  de elencos adequado á exigência de cada peça. Basta lembrar que o segundo espetáculo, como vimos a ”Yerma” de Lorca – o que só por si é uma afirmação de qualidade – exigia em cena algo como 20 personagens: e encontramos então, neste e em espetáculos sucessivos, nomes como Augusto Figueiredo, Maria Lalande, Mariana Vilar, Lígia teles, Cecília Guimarães e Francis Graça.

Os espetáculos eram dirigidos ou por elementos do elenco ou pelos próprios diretores da companhia, com destaque para Orlando Vitorino.

Na reposição de 1960-61 e nos espetáculos dessa temporada  surge no TdEL como que uma renovação também de  grande qualidade: alem de muitos dos citados, temos então no Trindade Carlos José Teixeira, Carlos Wallenstein, Fernando Gusmão e o brasileiro Lusi Tito, numa das primeiras “integrações” de elenco que depois seriam habituais. E mais para o final, outra geração: Ivone de Moura, Carlos Duarte e outros.

 orlando vitorino.JPG
Orlando Vitorino
Imagem do blog http://liceu-aristotelico.blogspot.pt

DUARTE IVO CRUZ

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *