
Minha Princesa de Além:
Caiu-me outra vez em cima aquele anúncio da RTP, empresa pública de televisão, a propagandear a possibilidade dos seus espectadores poderem ver os melhores programas em directo ou on demand… No nosso tempo, Princesa ainda de mim, dir-se-ia a pedido… Mais claramente, e em português. Mas “eles” é que são o serviço público…
Tal possidónia advertência calhou no meio de entrevistas e comentários acerca dos recentes acontecimentos no Afeganistão. Para além dos muitos habituais erros de português dos “nossos” locutores(as) em directo ou “on demand” (de quem?), apenas se foram repetindo os cansados discursos ideológicos que teimosamente pretendem saber analisar e explicar as situações dramáticas em que se encontram milhões de vidas humanas, sobretudo porque as chamadas grandes potências persistem em perspectivar e realizar as suas políticas de acordo com critérios ordenados por considerações exclusivas do que entendem ser os seus imediatos interesses próprios. Tenho para comigo que a complexidade da presente questão islâmica, e, sobretudo, o crescente poder disruptor dos movimentos extremistas (quiçá mentecaptos) sobre a necessária convivialidade das comunidades e culturas que integram a nossa sociedade global, não podem ser enfrentadas por perspectivas imediatistas, quer na nossa reflexão, quer no labor da construção de pontes e entendimentos. Aliás, não esqueçamos que Portugal, por exemplo, não tem de seu qualquer centro capaz de estudos islâmicos, nem de línguas e culturas orientais (do médio ao extremo oriente)…
Quando falo ou escrevo sobre Serge de Beaurecueil, dominicano francês, saído do Instituto Dominicano de Estudos Orientais do Cairo e professor de mística persa na universidade de Cabul, poucos portugueses sabem quem ele foi, menos ainda saberão falar sobre essa matéria ou acerca da poesia persa que teve no Afeganistão alguns dos seus melhores cultores. Foi aliás aí, na pátria da primeira religião monoteísta (a de Zoroastro) que, ao longo dos tempos, foram surgindo muitos – e dos maiores – místicos muçulmanos da Ásia ocidental. Não foi por acaso que um padre católico foi titular de uma cátedra de mística persa na universidade da capital afegã. Sem que houvesse sincretismo, a convivência de várias religiões foi-se desenvolvendo em espírito ecuménico.
O professor Thomas Sizgorich, no seu Violence and Belief in Late Antiquity – Militant Devotion in Christianity and Islam (Filadélfia, 2009) aponta bem como o Islão parece ter conhecido, desde os seus primórdios, a coexistência do combate bélico com uma luta ascética contra as fraquezas humanas. E Sizgorich relaciona o Islão nascente com antecedentes da antiguidade tardia, através da figura do monge cristão, voluntariamente violento por Deus e contra os seus próprios vícios. Philippe Buc, professor nas universidades de Viena (Áustria) e Stanford (EUA), no seu Holy War, Martyrdom and Terror – Christianity, Violence and the West (Filadélfia, University of Pennsylvania Press, 2015), explica: Maomé e aqueles que, com ele, contribuiram para criar a tradição viviam, de facto, numa ecumenecidade abraâmica, em que lado a lado estavam todos os géneros de monoteísmos, entre os quais várias seitas cristãs. Para estas, os monges desempenhavam o papel de figuras exemplares, portadoras de sentido, guardiãs da identidade e da pureza religiosa dos seus grupos, em razão da sua capacidade de sofrer o martírio e de reagir com força contra o que consideravam desvios dogmáticos. Assim surge, muito precocemente, um dispositivo análogo à combinação combate material/combate espiritual, característica das trajectórias ocidentais. O jihad dito «maior», equivalente da «militia spiritualis», todavia, só foi teorizado nos séculos X-XI, sobretudo por sufis desejosos de proclamar a superioridade dos combates interiores contra os vícios. A direcção primeira da elaboração teológica muçulmana iria assim de uma revelação complexa a uma simplificação que daria prioridade à espada, enquanto que o jihad «maior», equivalente islâmico da guerra espiritual cristã apenas obteve um estatuto comparável (e, até, superior) ao do jihad material, já relativamente tarde.
Convém recordar aqui que a expansão islâmica inicial foi uma “guerra santa” de conquista, em que o proselitismo religioso sustentava políticas e guerras conduzidas pelos primeiros califas que, aliás, nas suas escolas corânicas (em que o ensino se fazia em árabe, a «língua de Alá») iam acrescentando, conforme os seus objectivos e estratégias, os hadith ou ditos do profeta, que hoje desempenham um papel fundamental na pregação da facção sunita do Islão. A prioridade da espada, por outro lado, também pode explicar o estatuto das mulheres nas comunidades mais radicais, designadamente nos reinos e emiratos da Arábia e Golfo Pérsico e nos movimentos extremistas como os talibã. E se considerarmos o martírio da morte em guerra santa numa perspectiva apocalíptica, melhor perceberemos porque são virgens que aguardam a chegada dos mártires à outra margem. Mas disso falaremos em próxima carta.
Camilo Maria
Camilo Martins de Oliveira
Qual das religiões é a pior, é o que diz aqui neste texto em latim, qual a pior, eu não digo nada, falam dos arabes e dos extremistas, mas os Papismus de Roma não ficam atrás a nível do culto da morte e não da fé.
Nec interim de Religione Papistarum et Turcarum comparationem ullam institui. Est verò in utrâque Orthodoxæ fidei antithesis, et eversio. Turcisinus apertè, Papismus per cuniculos fidem illam oppugnat. Turcæ Mahumetis, Papistæ Romani Pontificis Alcorano et Traditionum Cabalæ innituntur. Quorsum utra earum deterior sit Religio, disseramus, cùm sit in utrâque certa pernicies ? Quorsum utra ex eis magis probari debeat discutiamus, cùm in neutrâ, quâ talis est, quidquam sit, quod probari debeat ?
9. Quare postremò molestè feras, si ab aliquo fortè ex
nostris Turcæ Papistis præponantur, cùm sint è vestris qui Guil. Regi- Mahumetismum? eisdem, imò melioribus Principiis, quàm CalviCalvinotur- nismum fundari asseverent ? Cùm libros integros de Atheismis a Argument. Protestantium, et Calvinoturcismo vestri conscribant ? An vobis Ant. Possev. calumniari licet, nobis ne vera quidem dicere licebit? Semper
ego auditor tantùm ? Nunquamne reponam vexatus toties? An de vestris, non licebit id nobis vel verbo significare, quod de Jesuitis (qui fide ac sanctitate sic inter vos micant, velut inter ignes Luna minores ?) prædicant, et Orbi universo promulgant reverendi sacrifici vestri? Ab illis dictum : Malle se sub durissimo Turcarum jugo, etiam respectu salutis animarum, quàm sub Jesuitis, vitam agere. Præsertim, cùm tam miseranda sit et deflenda ordinum omnium in Papatu conditio, ut sancta vestra
Brigitta in eo ipso libro, qui, ut titulus indicat, immediate à Deo lib. 2, c. 41. inspiratus est, Papæ, illiusque asseclis, non Paganos solùm, sed
tradução
Nesse ínterim, nenhuma comparação foi feita da religião dos papistas e turcos. De fato, há uma antítese e uma reviravolta em ambas as religiões ortodoxas. Turcisinus ataca abertamente essa fé por meio de túneis. Os turcos de Maomé, os papistas do Romano Pontífice, baseiam-se no Alcorão e nas tradições da Cabala. Por que razão devemos discutir qual delas é a pior religião, já que há certa destruição em ambas? Para que propósito devemos examinar qual deles deve ser provado mais, visto que em nenhum deles há algo que deve ser provado?
9. Por que você fica irritado se por acaso não tem mais alguém?
que os turcos sejam colocados antes de nossos papistas, já que eles são seus, que são Gail. A regra do maometismo? eles afirmam que é fundado no mesmo, ou melhor, em princípios melhores do que o Calvinoturnismo? Uma vez que livros inteiros sobre ateísmo a partir do argumento Protestantes e Calvinoturcismo? Você é o Ant. Possev. É lícito caluniar-nos, para que nem mesmo falemos a verdade? sempre
João Felgar
Eu quanto mais vejo a serie de Philippe II de Espanha em Sevilha, que mostra a podridão das Irmandades da Igreja Católica de querer ficar com o controlo do negócio da Fé, usando as Prostitutas para os seus fins religiosos, eu fico de boca aberta, a quantidade de coisas que eu desconhecia. O negócio das prostitutas das Irmandades em Espanha e Portugal, mais o negócio do jogo.
Volumes 5-7O Progresso Catholico …. sequor autem, si quo modo comprehendam…
ORGÃO DA UNIÃO CATHOLICA EM PORTUGAL … ad ea quae sunt priora extendens meipsum
ad destinatum persequor, ad bravium (triumphi Ecclesiae)… in Christo Jesu. ID. 13, 14, AD PHILIP. 3. 12. REVISTA RELIGIOSA, SCIENTIFICA, LITTERARIA, ARTISTICA E NOTICIOSA
pagina 170 a 174
A confissão é uma lei imposta a todo QUE FALTA FAZEM OS FRADES?
prestar-se-iam as auctoridades sendo nocivas como nunca antes, logo não para fazer vás declamações contra altestar-lhes que era irreprehensivelo deve ser muito e muito mais esforçoso pessoas inoffensivas e benemeritas!. . . seu procedimento em todos os actos da por parte dos Catholicos (-e a toda a E’ assiin a liberdade dos revoluciona- sua vida? hora contra taes inimigos o Combate! rios, quer de boné phrygio e blusa, quer Seus sermões eram a pura e simples de casaca e luva branca!.. doutrina de Jesus Christo; eram o EvanDom ANTONIO DE ALMEIDA.
E’ em nome d’essa mesma liberdade, gelho, a condemnação do vicio, a gloque clamam contra os Jesuitas, que rificação da virtude ninguem vê, que ninguern sabe onde estão. Se havia uniões illicitas, procuravam Scação cligiosa
E’ verdade que, segundo a logica legitimal-as; se havia inimisados, csford’um jornal, Jesuitas são todos que de- çavam-se por concilial-os. fendem a Companhia de Jesus. N’esse Seus cuidados con vergiam unicamente Duas palavras a proposito dos Jesuitas caso está o paiz coberto d’elles, e bem a pôr termo a tudo que fosse mau, a andam os revolucionarios em pedir pro- animar tudo que fosse bom; não esqueII videncias contra esses sugeitos, que sem cendo já mais de rocommendar respeito licença d’elles se atrevem a ter idéas e obediencia ás leis, ás auctoridades e CIVEMOS em um tempo, em que an- favoraveis á illustre Companhia. Sempre aos superiores. dam completamente confundidas asja mesma liberdade de funil!…
Seu fim era formar bons christãos, idéas a respeito da liberdade. Mas que actos criminosos practicam bons cidadãos, bons paes, filhos obedien. Aquelles que mais d’ella abusam, os os Jesuitas, para que assim se esteja tes, maridos é esposas exemplares. revolucionarios, são esses mesmos, que clamando sempre contra elles? estão a clamar todos os dias, que ainda Os Jesuitas dizem missa e confessam, (Continúa). não temos liberdade bastante. E á som-lo que por emquanto não é ainda probra d’ella vão minando os alicerces hibido. Em quanto as portas dos tem-P. JOSÉ VICTORINO PINTO DE CARVALHO do altar e do throno, e preparando o plos não forem fechadas por ordem dos reinado da Communa, que ha de fazer communistas portuguezes terá o Padre nadar este paiz em felicidades nunca sempre liberdade de dizer missa e de vistas!.. E contra elles não fazem dis- sentar-se a um confessionario, e ouvir cursos os Ciceros portuguezes, nem re- quem a elle se chegar. presentações os liberalões da cidade invicta!…
João Felgar
Os negócios que a Igreja Católica quis fazer em Portugal e Espanha, a sede do Vaticano era promiscuo de Coisas estranhas com a prostituição, e depois dizem se Religiosos. Que sujidade é esta.
Não se admitte o convento, porque se darão bem os Carvalhos? Oh! braceCOISAS! COISAS! lá encontrava a mulher, ao fugir do jassem elles ahi com o mesmo vigor que mundo, um refugio, um abrigo benefico; em Portugal e aquelle povo seria ver Ordem, esse valente soldado e com- mas admitte-se o lupanar, porque lá en- dadeiramente feliz! A panheiro nossolemas mides da com contra a mulher a degradaçao, a baixeza prensa, dava-nos ha dias a noticia e o despreso das multidões, e abre a de que fora assaltado o convento de Cel- porta do hospital, onde morreria ao des- 0 Snr. Joaquim Martins de Carvalho, las, perto de Coimbra, pela policia, apoz amparo se ahi não existisse o Anjo de do Conimbricense, é capaz de dizer aos a morte da ultima freira Soror Maria Fe- caridade, mas o Anjo de caridade en. seus leitores que a Italia, depois das valismina, que deixára a casa onde vivera volto no burel da penitencia, que não rias empalmações a que a liberdade deu tantos annos, na edade de 96 annos, pa- o que se envolve nos arminhos que fo- azo, está a trasbordar de felicidade, cora voar ao céo a receber o premio de gem de roçar-se com a miseria. mo este reino de Portugal, depois que uma vida passada longe dos arruidos do Mas viva a liberdade! toque o hymno, se fizeram tambem umas certas empalmundo. snr. Martins de Carvalho! mações. Pois, senhores, quem tal affir«A policia, diz o nosso collega, que mar mente, e mente descarada e vildeixa ás escancaras e ella mesmo atulha mente.
Porque, una folha de Roma dias casas de prostituição, corre logo ás Portugal, digam o que disserem os zia ha dias seguinte: casas do Senhor para sellar as portas, e seus inimigos, é o paiz mais extraordinario
E lá foram as pobres filhas do claus- filhos de Santo Ignacio de Loyola. conquistas tinham sido feitas a preço do tro mendigar, quem o duvida, o pão da E foi! Mas o marquez de Pombal, o seu sangue e, até certo ponto, aquelles caridade, ou morrer de fome junto d’um inimigo dos jesuitas deixou este mundo, cidadãos de Roma, despresando qualquer caminho, como aconteceu aos frades, todos os que foram seus companheiros occupação que não fosse a das armas, quando a liberdade, visitando este bello na grandiosa empresa deram tambem ás podiam julgar-se auctorisados a viver e paiz, se apoderou dos seus bens. E faz- de Villa Diogo, e os jesuitas continuam a gozar á custa dos povos vencidos. se tudo isto, invade-se a casa do Senhor, por loda a parte, felizmente, a dispen- Porém, a Italia contemporanea não para expulsar as filhas da caridade
João Felgar
Os Jesuitas levavam as donzelas na miséria a prostituírem se, os Religiosos da Fé Católica. Não tenho palavras
Glorias del segundo siglo de la compañia de Jesus: dibuxadas en …, Volume 1
José Cassani · 1734
EXCERTO DO TEXTO – PÁGINA 71
… para el remedio , Jesuitas , este no vencia aquella se arrojo à prostituir la … volò à la cafa , bien seexecucion su deseo , sin expressa guro en Dios …
Bolvió à Padua , y à pocos voto de entrar en la Compa- dias supo, porque le hicieron ñia. saber, que una Matrona Italia. Para su cumplimiento, y na, abandonada de la fortuna, execucion , bolvio à Augusta à en lo ultimo de la miseria tratar con su padre : este sintió en la soledad de una viudez, la resolucion ; porque si bien, viendo que à quantas puertas à titulo de Catholico Alemán, llamaba , para su socorro , eftatenia cariño , y concepto de los ban cerradas para el remedio, Jesuitas, este no vencia aquella se arrojo à prostituir la hermodificultad , con que los Seglares fura de una hija doncella , à miran, como perdido, un hi- quien el Cielo havia concedido jo, quando logra el estado Re: por dote la belleza ligioso, como que pierden de mundo havia negado fù fortucierto todas las seculares espe- na para su manutencion. Lle. ranzas , que fundan en sus pren- gò esta noticia à oidos de An, das. Fuè tan constante la resis- tonio , que compadecido de el tencia del padre , que le diò miserable estado de aquellas al Antonio palabra de no poner en mas , volò à la cafa , bien seexecucion su deseo , sin expressa guro en Dios para la ocasion; y licencia suya , con condicion hablando con severidad, y refde que le dexasse bolver à Pa peto a la infeliz madre , afeò, dua à seguir sus estudios. Fiòse como debia, su el padre del juicio de su hijo; cion ; y acabo , diciendo : Fien y creyendo seguridad en su obe- mas en Dios, que en muchos diencia , pues vivia pertináz en pecados ; tomen ay dote para no conceder la licencia, se la dàr estado à efta niña , en quc diò para bolver à la Universi viva en gracia de Dios, y bufdad; y para engolosinarle en el quen con él, lugeto proporciomundo , le cebò con cantidad nado à su nobleza , y que las de dinero , à fin de que tenien- mantenga honradamente ; pero do con que lucir , y gastar , ò ni à èl, siendo marido, le excon que dar limosna , y execu- pliquen jamás quien ha sido el tar otras obras pias, conside- Author de este bien, ai èl, que rasse , que podia ser virtuoso en no queriendo ofender à Dios, el siglo , y con uno ù otro ha sido bienhechor de fu honra. motivo borrasse las especies Todo , con gracias infinitas , lo de Religioso, que tanto cuida- cxecutaron las señoras, menos do havian costado al padre, y el silencio ; porque temiendo fu à hijo.
João Felgar