VALE TUDO

Para os dias de hoje a dominação do individuo através da manipulação das suas necessidades, constitui o melhor modo de o integrar no sistema social, enquanto o seu mundo interior, a cada dia que passa, se verga ao entretenimento de outras vontades.
Sector estratégico nos planos político, económico e cultural é a comunicação que fatura dinheiro e gente para um universo do nada ou do poucochinho, e esta é a grande indústria imposta por uma minoria, única beneficiária das regras que impõe.
Em rigor, as formas veladas de pressão sobre a mente das gentes, através dos meios massivos de informação de bífida cultura, manipulam com violência ardilosa incertezas e medos e frustrações, na exata dose que levam o individuo a sentir-se permanentemente insatisfeito.
Deste modo, quanto mais dolorosamente o sujeito é confrontado com a negação do que julgava merecer e obter, quanto mais uma certa elite recear vir a perder as posições que eventualmente conquiste, sobretudo em momentos de crise ou mudança, maior é a necessidade desse mesmo sujeito ocultar a realidade, ignorar mesmo que a conhece.
O mais fácil então – e visto que a ciência não pode oferecer mais do que dúvidas- é que os indivíduos se submetam a uma panóplia de verdades absolutas, passando a vida a ser vivida numa sociedade cujas grandes energias residem na mentira.
Natural se tornou que vivam os videojogos que fazem furor se se basearem na combinação que atinge a agressividade, o culto pela indiferença, a sujidade de espírito, o desafeto, a força bruta do vale tudo.
Teresa Bracinha Vieira
O culto – ou será já a cultura? – da felicidade domina, de facto, a sociedade, ainda que tudo não passe da ilusória sensação de realização do indivíduo, seja no gozo da aquisição que permite alardear a posse, seja na difícil mas socialmente inútil capacidade individual de ascender um ou dois níveis no videojogo da moda. 021/04/quero-ser-feliz.html.
Permito-me sugerir uma leitura da reflexão a que procedi sobre o tema em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2
“O que pouco parece haver é quem pense que a verdadeira felicidade consiste em conseguir fazer o que se tem de fazer, e se importe, realmente, com o facto de, quando ganhamos, quase sempre alguém, por nossa causa, acabar por perder”
Agradece-se a atenção, a partilha e desejam-se boas leituras.