As liberdades não são verdadeiras liberdades se ninguém ou poucos as aplicarem.
Acreditar que se vive em sociedades livres quando, em grande medida, a realidade é a das liberdades formais, conduz ao profundo equívoco de se pensar que se se tem direito à habitação, consequentemente se tem dinheiro suficiente para a adquirir.
Esta inverdade deveria conduzir à reflexão acerca das liberdades substantivas.
Questionarmos o pendor teatral a que ficam confinadas as liberdades em sociedades ditas mais desenvolvidas, quer em termos políticos quer sociais, e aferir o quanto podemos ser livres para reivindicarmos, mas que, se afinal, ninguém nos escutar as vindícias, qual a relevância da liberdade da queixa? até onde a ilusão de que assim muito ainda se pode mudar?
Registe-se também que mesmo hoje, o acesso diferenciado às mulheres em muitas profissões tem passado pelo menosprezo que se atribui às suas necessidades de independências pessoais, estas, base de toda a libertação.
Todavia, é grande a percentagem de mulheres que utilizam a não-liberdade para usarem com eventual humildade o grande poder de educar os filhos, de manipular presumidos estados de inocência ancestrais a seu favor, numa conceção de mando encapotado, o que, em última análise lhes seca a liberdade substantiva a que nos referíamos, e estagna o curso da história.
Sem sombra de dúvida que o raciocínio sedentário não questiona, em realidade, nenhuma situação no seu âmago, e se nos considerarmos pessoas livres nas sociedades contemporâneas porque não temos tiranos políticos, não surpreende então o muito que falta fazer para que se esclareçam as deficientes interpretações entre o que se vive e o que se poderá viver.
As liberdades não são verdadeiras liberdades se ninguém ou poucos as aplicarem, mas certamente, esta visão ainda parece bizarra.
Teresa Bracinha Vieira