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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

  


Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.

Maquiavel

O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.

Maquiavel

Para Maquiavel entender o comportamento humano diante do poder é fundamental a fim de que o poder delibere ações que permitam antecipar o que se deve fazer para perpetuar esse poder.

Ele tinha uma visão de que a natureza humana era profundamente egoísta e voltada para a busca do poder.

Retinha a importância da necessidade de incutir o medo como motivador para controlar as circunstâncias, argumentando que os governantes deviam agir com ambição e crueldade avaliando a realidade, e entendia que “os rebeldes” que se opõem ao poder não deviam ter lugar na sociedade.

Pare ele, o poder, tem de ser capaz de agir de forma imoral para garantir a aparente estabilidade política, e não de acordo com o que ele chamava de ideais abstratos.

Política era para ele astúcia e pragmatismo numa busca implacável pelo poder.

Um governante deveria manipular, enganar os outros, usar de todas as persuasões, utilizar toda a estratégia da propaganda em seu favor, numa busca absolutamente implacável para alcançar os seus objetivos.

Para Maquiavel, o contexto molda todas as ações das pessoas e determina as suas decisões, donde, entender as circunstâncias é essencial para entender e manobrar a natureza humana.

Inúmeras são as referências de Maquiavel aos desejos (ou humores) que constituem a dinâmica pulsional de toda civiltà.

Quanto à natureza dos humores, refletia que “o desejo dos grandes é positivo porque determinado, ao passo que o desejo do povo, indeterminado, é negativo: antes de mais nada, o povo exige apenas não ser oprimido”.

Para muitos, isto significa o esvaziamento do desejo do povo de todo e qualquer conteúdo político ou significa que o povo “não quer saber nada do poder”.

Acresce que para Maquiavel existem duas funções para a religião: “a que implica que o governante saiba como quer interpretar a religião, e a segunda, a de conseguir com essa interpretação, conduzir o povo ao que ele chama de patriotismo” (Josete Soboleski).

E enfim,

São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes, que quem

engana encontrará sempre alguém que se deixa enganar.

Maquiavel

Teresa Bracinha Vieira

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