O HOMEM É BEM MENOS DO QUE JULGA, MAS PODE SER BEM MAIS DO QUE TEM SIDO
Doris Homann
A grande substituição que muitos pensam poder implantar no espírito do mundo é aquela que separa os transportadores de “maus genes” dos que só transportam os mas iluminados e puros que o seu sistema celular exclusivamente para eles produz.
O quadro trágico de um mundo que pode desaparecer afundado nos podres das fortunas-relâmpago, e noutros perversos domínios, todos pertença de uma minoria, alerta a civilização para a beirinha de um precipício inenarrável, antes que uma ideia de melhoria da existência humana consiga soltar-se da esterilização e vingue.
As “bíblias” das grandes substituições são uma herança que culmina sempre na pura aceitação da mesma, na ideia do boomerang que tolera o sofrer antes de o sentir e assim o legitima na sua chegada exponencial.
E se de facto o homem é bem menos do que julga será também porque o muito humano parece ignorar que também carrega em si o demónio, a sombra que pretende secar o diálogo, o pensar divergente, a criação, retirando o seu grito de guerra da sua imensa simplicidade viral.
Mas basta olhar à nossa volta e à volta dos factos acontecidos e logo o exemplo da não aceitação do medo generalizado marca presença; basta recordar o quanto a uma ressurreição violenta dos mitos, os homens já têm feito frente.
Basta que o homem prove que pode ser bem mais do que tem sido e evolua da comunidade definida por pseudovalores, agora facilmente manipulados pelos algoritmos, e saiba que a estes o significado de que no princípio era a cor, sempre escapará.
Teresa Bracinha Vieira
Sim, no princípio era apenas a cor, mas logo cerca de 5.000 a.C., o assumir do controlo da reprodução animal, significou pela primeira vez identificar os machos que eram melhores reprodutores e castrar os outros. Portanto, foi, com efeito, a engenharia genética, que promoveu o reprodutor e os seus testículos a um status superior, ao que se seguiu um modelo para o pai poderoso, os seus objetivos militares, comerciais, políticos e capitalistas. Parece-me que, enquanto mulheres e homens de boa vontade, podemos assumir os “papéis intersticiais ou intermédios que estão fora das estruturas de dominação… que desempenham um papel especial na ligação social, na resolução de conflitos e na gestão de crises entre grupos sociais… a todos os níveis, desde interfamiliar para internacional”(Elise Boulding 1976).
“Necessita-se, por isso, de uma enorme disciplina mental, enorme esforço de pensar e encarar o poder religioso e político, sem assumir as definições estabelecidas no início da história escrita, há tantos milhares de anos” (Kraemer, 1991).
Peço desculpa pela extensão do comentário.
Grata pela atenção que lhe provocou o meu trabalho no texto que refere.
A partir do momento em que a leitura nos convida e nos provoca, o fascínio acompanhador dos caminhos, faz-se.
TBV