
Existe sim uma tristeza nas gentes daquilo que possa acontecer. E é estranho que este sentir que intuo no ar e nos olhos, dorme ao lado da felicidade. Na fusão da noite dos sentimentos, o medo não enfraquece, antes mina e deixa-nos a temer todas as realidades como modo de ocupação permanente, desde a hora em que o despertador nos acorda até à hora da sonolência cansada nos levar ao sono, e este ao sonho que abarca também a possibilidade de nele perdermos alguém que amamos, como se esse perder nos levasse o amor que por esse alguém sentimos.
Dá a sensação de que os passos das gentes assentam em coisas demasiado transitórias e insustentáveis. Em compromissos estranhos de entendimentos, em pactos de silêncio e de sofrimentos.
Será tudo isto afetação própria da época em que se nasceu? Não será tudo isto mais conjeturado do que propriamente verdadeiro? Não haverá aqui algo de nonsense pelo nonsense? tal como o princípio que decreta a arte pela arte?, ou a congruência de tudo o que é incongruente? A aptidão da inaptidão? Pergunto-me se os matemáticos estão a fazer férias demasiado grandes deixando espaço a inversões descomprometidas por parte do lógico? E só de o pensar, dá-me calafrios.
O que seja a biblioteca de cada um, não lhes passa pela cabeça retirá-la da estante. Contudo vejo bolhas de sabão. Muitas. E, enquanto mundo e nele gentes, em intervalos lúcidos de insanidade, vendo-se a braços com as bolhas de sabão, desnorteiam com sentido, e eu só consigo desejar-lhes casa, desejando-me e desejando-lhes também sítio de mundo para onde queiram sempre voltar no encalço das razões dos livros clássicos.
E pergunto-me se os poetas se conseguem erguer tendo no céu e no chão tantas nuvens por determinar, quer no crepúsculo do nascer ou do pôr-do-sol.
Teresa Bracinha Vieira