auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  

 

109. CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES

A queda do Muro de Berlim, em 1989, declarou o fim da guerra fria, obrigou à definição de um novo paradigma definidor da realidade emergente e que permitisse prever os futuros conflitos internacionais.   

Tentando agarrar mais de perto a nova era, fala-se em guerras comerciais (envolvendo os Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão), religiosas (com o mundo muçulmano e seus fundamentalismos), étnicas (União Soviética e a Jugoslávia) e novas guerras frias (Estados Unidos, Rússia e China). 


Dada a ausência de consenso sobre qualquer das propostas, eis que surge uma tese chamativa e polémica, de Samuel Huntington, segundo a qual são culturais as grandes divisões que opõem a humanidade, ganhando importância crescente a identidade civilizacional, enumerando oito grandes civilizações: a ocidental, latino-americana, eslavo-ortodoxa, africana, islâmica, hindu, chinesa e japonesa.   


Embora reconheça que as diferenças culturais não acarretam necessariamente conflitos, Huntington conclui que estes se tornam inevitáveis, exemplificando-o com o desmembramento da ex-União Soviética e ex-Jugoslávia, e analogias culturais e civilizacionais que determinaram a atuação e cumplicidade do resto do mundo, perante a guerra entre croatas, muçulmanos e sérvios. Acresce que a progressiva mobilidade das pessoas e a crescente modernização (sobretudo económica) levam Estados a transigir perante valores alheios que os seus cidadãos rejeitam, refugiando-se no “regresso às origens” como reação contra os excessos do ocidente e a pretensa uniformização feita em seu benefício.   


O principal foco de conflito da nova ordem mundial reside na interação das principais oito civilizações, defendendo que o choque civilizacional ocorrerá a dois níveis: um regional e outro global, havendo dois grandes blocos protagonistas dos conflitos futuros, pondo o ocidente, enquanto civilização dominante, face a outras civilizações que reagem contra o expansionismo e pretenso universalismo ocidental. 


A principal ameaça, diz SH, é o mundo muçulmano, tendo o Islão como uma civilização claramente oposta aos valores ocidentais que quer substitui-los pelos seus próprios valores, vendo como inevitável um choque entre as duas civilizações. Islão que também tem projetos expansionistas, vendo o ocidente como uma força maligna, que atingiu no seu núcleo central, em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, além de outros atentados violentos feitos por grupos fundamentalistas islâmicos pela Europa ocidental, especialmente em França. Muitos foram, em paralelo, os governantes muçulmanos que viram na guerra do Golfo, não um conflito contra o Iraque, mas um ataque declarado do Ocidente contra o Islão, tido como uma força do mal.


Sem esquecer o alegado desrespeito muçulmano por valores fundamentais para a civilização ocidental, como a democracia e os direitos humanos, ausência de liberdade religiosa e o estatuto de domínio sobre as mulheres.


Curiosamente, nos nossos dias e século atual, emergiu outro choque civilizacional entre o Ocidente e a Federação Russa, após invasão da Ucrânia, com consequências imprevisíveis, entre povos maioritariamente cristãos, de costumes, tradições familiares e religiosas similares, cujo centro nuclear central se circunscreve, por agora, à civilização Eslavo-Ortodoxa (Rússia e Ucrânia), de que fala SH, o que prova, nesta perspetiva, que no interior da mesma civilização (com várias culturas) pode haver um choque tão ou mais destruidor que entre civilizações diferentes.


Porém, também no atual choque civilizacional o Ocidente alega lutar pela democracia, liberdade e direitos humanos, contra a autocracia, ditadura e desprezo pela integridade territorial, física e vida humana das pessoas, com similitudes, neste aspeto, perante o conflito civilizacional com o mundo muçulmano (este menos visível e em estado latente, de momento).


O que prova, por um lado, alguma imprevisibilidade quanto à certeza e preponderância do choque de civilizações e, por outro, que a barbárie é algo que está intrinsecamente inscrito, até hoje, no programa de qualquer civilização, por mais evoluída que seja

 

10.06.22
Joaquim Miguel de Morgado Patrício 

3 comentários sobre “CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  1. O Dia da Independência da Ucrânia é o principal feriado estadual na Ucrânia atualmente, celebrado no dia 24 de agosto em comemoração à Declaração da Independência de 1991

    A Ucrânia sempre fez parte da Rússia, sempre, é o berço da Nação Russa e o Sr. Putin e Sr. Dmitry Medvedev, como todos os Russos não vão aceitar de modo algum que a origem da Rússia fique independente. O Sr. Putin afirmou, vai eliminar completamente toda a Ucrânia, venha a UE, EUA e a Nato para intervir em armamento, isto vai afetar exclusivamente a Europa.

    Россия — Варяг Рюрик закладывает основы империи в Новгороде», 862; другие варяжские вожди вскоре после этого отвоевали Киев у хазар; Киев столица объединенного варяжского царства, ок. 880 г.

    O Problema da Europa, e dos nossos supostos lideres, presidentes, ministros, não conhecem minimamente a Cultura e as tradições Russas e submetem se como criados e serventes aos EUA, enquanto isto acontecer, a Rússia vai eliminar a Europa aos poucos, a guerra é para continuar até à fronteira da Polónia e os Russos querem um pretexto para avançar contra a Europa e ficar com a Alemanha.

    Continuem caros Senhores, com a vossa guerra em enviar armamento aos outros, ao comediante e deixa morrer homens, mulheres e crianças, por um território que não é dele.

    Agora imaginem que Guimaranes ou Vimaranes se tornavam independentes a Portugal, o Sr. Marcelo Rebelo de Sousa e o Sr. Costa, tinham que aceitar sem guerras, sem intervenções, agora imaginem que Paris se tornava independente de França, imaginem, o Sr. Macron, não podia criar guerras, nem intervir. E se nestes novos territórios a EUA, enviassem armas para Paris e Vimaranes, os nossos Lideres e Militares, tinham que ficar calados e nem podiam Piar.

    Mas esta gente tem pouca memória, as Republicas tem um estar tão interessante em se mostrarem como garantias da Democracia e Liberdade e fazem o querem ao seu Povo. Dão homens e armas para a guerra de outros, perdem se vidas em nome de Portugal.

    Quando existiu a implementação da Republica em 5 de Outubro de 1910, os Republicanos entraram na Primeira Guerra Mundial, morreram tantos tantos portugueses em nome de Portugal, tristes Republicanos.

    João Felgar

      1. Obrigado.

        Só queria que as pessoas entendessem o porquê dos Russos teimarem numa situação que é deles e não devamos criticar por criticar, o termo Ucrânia, pertence a um pequeno condado do tamanho de Lisboa, no sul deste território e estas gentes em 1991, enganaram todos, passaram um imenso território a Ucrânia e que não é verdade.

        A verdade vem sempre ao de cima, relativo a Espanha, a Castella e Leam, quem lhes deu origem, Pulgar é o mesmo que Fulgar ou Felgar. E os Reis de Espanha, os atuais, são Usurpadores e tem sangue da Turquia.

        PULGAR, vetusta & nobilis familia, ortum derivat fuum ex Aftu. DCLXVII. riæ principatu, ubi domum suam gentilitiain (Solar audit Hispanis’) in vero Sanctæ Mariæ de Telledo, in territorio ( valgo Concejo ) Lenenl sito; unde per Castellæ Andalusiæ que Regna le diffudit, originemque dedit Toparchis oppidi Salar, in Regno Granatensi, è quibus feptimum Salaris dominum, Joannem Fernandum Perez del Pulgar, nobilem urbis Loją civem Marchionem de Salar creavit Carolus II. Hispaniarum Rex. Peculiariter de hac familia commentatus est Blasius de Salazar, quem suo loco laudavimus, cui heic adjungimus Auctorem Anonymum, qui circa annum MDCLX, magno cum studio conscripsit:

        DE Nobilibus Andalusiæ stemmatibus multas arbores ut vocant Genealogicas construxit, quæ junctim haud mediocris crassitiei volumen efformare possent’, sed sparsæ ac ineditæ in curiosorum scriniis delitefcunt; æque ac sequentia:

        GENEALOGIA de la Casa de Pulgar , Sennores del Salar, quod oppidum Regni Granate Carolus I. p.m. Rex in Marchionatum evexit pro Don Joanne Ferdinandi Perez del Pulgar, feptimo ejusdem Toparcha, ex perantiqua & nobiliNima Pulgarorum in urbe Loja gente oriundo. Libellus iste magno cum studio & accuratione scriptus est, judice, qui benenovit,

        La première alliance avec l’Espagne et Venise date du 11 juillet 1496 (voir plus loin). Mais la chronique d’Isabelle la Catholique, composée par le secrétaire et historiographe de ces souverains, Fernando del Pulgar, nous apprend que précédemment déjà les rois catholiques avaient à leur solde des mercenaires suisses dont Ferdinand se servait pour réduire les nobles révoltés. « Les Suisses, dit Pulgar, « étaient des hommes de cour qui avaient l’habitude de combattre à pied, sans jamais tourner le dos. Aussi ne portaient-ils d’armes que par devant. » Dans son Histoire d’Espagne, M. Rosseeuw-St-Hilaire n’hésite pas à dire que c’est sur le modèle des Suisses que se formèrent ces redoutables bandes d’Espagne qui, pendant des siècles, décidèrent des destinées de l’Europe. Rosseeuw-St-Hilaire, Histoire d’Espagne, V, 415. – Sur Pulgar, voir Ticknor, History of Spanish Litterature, 1819, I, 157.2 Segesser, Die Beziehungen

        Duens, Duino, Thuringen, Englisberg, Parromam, Doëringen, Rodolphe de Wuippens, Wilhelm de Duens ou Düdingen, , Didingen, Velg, Velgar, Felgar, tels sont les uons divers que cette même famille portait dans ce tems. L’un des principaux promoteurs de tous ces progrès est Jacques Lombard, homme d’Etat aussi énergique qu’éclairé. Elu avoyer en 1400, il alterne dès lors dans cette haute dignité avec deux autres gentilshommes, Guillaume et Petermann Velga ou Felga, jusqu’en 1439.

        Toujours inquiétée par les Comtes de Savoye, la confédération Helvétique se former à ses côtés , de nouveaux Cantons la grossir successivement , et quoique elle dut en secret désirer d’y accéder et qu’elle y aspirat sans doute ce ne fut point Fribourg qui se sépara de l’Autriche , mais ce fut l’Autriche qui l’abandonna: dernière place que les descendans de Rodolph d’Habsbourg possédèrent en Suisse

        Portanto a História como todos nós conhecemos, tem grandes lacunas, descobrir o impensável. Exige se toda a verdade, chega de mentiras de duques de bragança, chega de mentiras.

        Comiti Brigantiæ , fundatori Albae Augix Brigantinæ,ac filio unigenito Vlrici II.Comiti Gamartin genfis,& Brigantini, qui fucceffit Hugoni fine liberis mortuoT: Ac deindè Sigcfrido II. Vlricus I V. genuit Rudolphum Comitem â Pfullendorff & Brigantia, Rudolphus

        João Felgar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *