Creative Commons Attribution 2.0 Generic license © Singa Hitam
251. NÃO TRAVAR A CRIATIVIDADE NATURAL HUMANA
Se considerarmos que a chave da evolução sempre foi caraterizada por uma euforia criativa e dominada pelo progresso científico e técnico, conclui-se que travar a criatividade natural do ser humano só ajudará a uma regressão, mesmo sabendo que o mero progresso material não trará consigo o progresso moral e ético.
Se considerarmos que a esquerda é progressista e, nesse sentido, tende a querer mudar a natureza humana, enquanto a direita se inclina a que é impossível (na sua génese), isso não significa que há necessidade (para a direita) de travar a criatividade humana, ao invés da esquerda, dado que, em qualquer caso, há que aspirar sempre a tentar conter a nossa natureza conflituosa e imperfeita, num misto de conservacionismo e progressismo, orientando-a na direção do bem comum.
Indicia-se que o bem comum é em abstrato transversal a todas as ideologias, tal como o egoísmo o é em relação a todas as pessoas quando se preocupam em melhorar, antes de mais, a sua condição pessoal e familiar, sendo que é o pluralismo democrático que está mais bem posicionado, até hoje, para não travar a criatividade natural do ser humano, ajudando a que nos moderemos reciprocamente, rumo a um bem comum de predisposição para o consenso e a paz.
A criatividade natural humana tem a sua máxima potencialidade de exercício e da sua manifestação em democracia, nas suas mais variadas formas e áreas do conhecimento, investigação e saber, como na arte, onde fala através do pensamento humano e da nossa imaginação, o que é uma ameaça em sociedades totalitaristas.
Na sua diversidade e pluralidade, a criatividade natural que há em nós lembra-nos que o importante é estar em sintonia com os outros, no respeito às diferenças, rumo a uma inventividade e humanidade mais ampla e plural, pondo em causa determinismos dogmáticos e rígidos, mas que não prescinde de um corpo de referentes comuns imprescindíveis para o bom funcionamento das sociedades, e onde a imaginação não precisa de justificativas, apenas da sua presença.
Não seguindo um molde único, nem se limitando a um conceito fixo, é também um reflexo contínuo e permanente das mudanças do mundo em que habitamos, desafiando os padrões estabelecidos, e reinventando-se, adaptando-se e reconfigurando-se.
13.03.26
Joaquim M. M. Patrício
Senhor Doutor J. Patrício
Obrigada pela crónica!
Estou de acordo consigo, nomeadamente quando diz no penúltimo parágrafo “…mas que não prescinde de um corpo de referentes comuns imprescindíveis para o bom funcionamento das sociedades…” precisamos, na minha convicção, de uma bússola, de um ponto de referência no nosso interior, a fim de que ninguém caia na arte de, por exemplo,“The Evil Within” (conhecido no Japão como Psychobreak).
Bem haja pela atenção, leitura e opinião.
Concordo plenamente! A criatividade é algo essencial e não deve ser travado. Fez-me pensar na importância do equilíbrio entre mudança e estabilidade, sem cair em extremos. A ligação entre criatividade, democracia e liberdade está muito bem conseguida e lembra-nos como pensar e imaginar livremente é, no fundo, uma das maiores forças que temos.
S
Grato e sensibilizado pela análise, interpretação construtiva e minuciosa do texto.
Boas escolhas e leituras nos tempos livres.