
Importa desde logo “justificar”, perdoe-se a abrangência da expressão, esta referência a um dramaturgo que, como tal, parece algo esquecido, mas que merece textos abrangentes.
Referimo-nos então à obra teatral do escritor José Manuel da Fonseca, de pseudónimo dramatúrgico Pedro Bom, e que, como tal, ao longo do século passado, dedicou ao teatro uma atenção e intervenção hoje algo esquecida mas que merece análise.
Quanto mais não fosse pela relevância desse conjunto dramatúrgico na época em que o produziu, a partir dos anos 40 e até aos anos 60 do século passado.
O que não significa qualquer tipo de criticismo envolvente. A verdade é que, como aliás aqui temos referido, o teatro escrito por autores portugueses, a partir de meados do século XX, merece uma projeção que a atividade teatral propriamente dita, isto é, o espetáculo em si, está longe de refletir.
E no entanto, como aliás temos visto, a produção literário-dramatúrgica nossa contemporânea, no que se refere ao espetáculo, em muito ultrapassa, digamos assim, a acessibilidade em si mesma: pois as peças devem ser representadas para público. Mas tantas e tantas vezes não o são, e isso também na época que hoje evocamos…
E no entanto, insista-se, é de assinalar a estreia de Pedro Bom como dramaturgo e como elemento de relevância na própria produção de espetáculos, designadamente na sua ligação ao “histórico” Grupo de Teatro Estúdio do Salitre, que tanto marcou na época, e ainda hoje, a modernização do teatro em Portugal…
E nesse aspeto, é de salientar peças que na época e ainda hoje marcam a renovação da dramaturgia em Portugal. Evoque-se aliás que menos uma dessas peças, intitulada “Um Banco ao Ar livre”, datada de 1948, foi escrita por Carlos Montanha, irmão de pedro Bom e também figura relevante na modernização epocal do nosso teatro.
Basta lembrar que o último espetáculo do histórico do Teatro do Salitre foi a peça “Para lá da Máscara” de Carlos Montanha, em 1848.
E apraz-nos ainda assinalar que por essa data e nesse contexto ocorre a estreia de Tomás Ribas como dramaturgo de espetáculos, digamos assim para sublinhar as diferenças, tantas vezes assinaladas, do texto e da respetiva encenação, se e quando ocorrer… Nesse aspeto aqui assinalamos que Tomás Ribas marcou a vida teatral e artística portuguesa e para isso contribuiu com numerosas peças.
Aqui recordamos algumas: “A Casa de Isaac”, “Gata Borralheira”, “Cláudia e as Vozes do Mar”, “Retrato de Senhora”, “Pedro e a Morte de Inês”, “A Única Mulher do Barba Azul”, “O Grito de Medeia”…
A elas voltaremos, bem como à restante obra do autor: porque o teatro não acaba aqui!…
DUARTE IVO CRUZ