É este, rigorosamente, o título da comunicação apresentada por Ana Maria Freitas, professora da Universidade Nova de Lisboa, no Colóquio Internacional sobre Almada Negreiros, a que já fiz referência na última crónica, e a que tenciono voltar. O Colóquio constituiu na verdade um muito interessante conjunto de comunicações, estudos e debates sobre Almada, a sua arte e a sua época, que merece ainda vasta reflexão.
No caso concreto que hoje nos ocupa, Ana Maria Freitas abordou, precisamente, a colaboração artística e cultural de Fenando Amado e Almada, através da vasta correspondência de Almada Negreiros, conservada no espólio: trata-se de um acervo, vasto e variado, com escritores, artistas e individualidades do meio cultural, mas também com entidades oficiais, designadamente no que respeita às encomendas e aos projetos respetivos.
No caso concreto da correspondência com Fernando Amado, está-se perante uma óbvia situação de colaboração artística, de ponderação e debate sobre cultura e arte, mas também de uma expressão de velha e sólida amizade, como aliás aqui tenho referido e que tantas vezes testemunhei.
Citamos aqui parte do texto referente à comunicação de Ana Maria Freitas:
“As cartas trocadas com Fernando Amado, objeto de análise mais atenta, constituem um diálogo continuado, onde a troca de ideias, a confissão de pontos de vista mais privados, e a discussão aberta de questões marcantes prolongam, de forma mais estruturada e ponderada permitida pela escrita, a conversa de um serão familiar ou das tertúlias na Brasileira do Chiado”.
Tenho aqui citado o “Diálogo entre Almada e Fernando Amado”, designadamente a partir da recolha intitulada “A Boca de Cena” (prefácio Vítor Silva Tavares – 1999), que remete para a revista Cidade Nova (Coimbra 1951). Na edição da Obra Completa de Almada (organização Alexei Bueno, prefácio de José Augusto França – 1996 – ed. Nova Aguilar – 1999) assinalam-se o texto citado e mais dois textos de Fernando Amado sobre Almada publicados nas revistas Variante (1943) e Panorama (1947). Mas há muito mais referências, que iremos citando a propósito de um e de outro destas dois artistas, amigos e colaboradores durante décadas.
E basta lembrar A Casa da Comédia, o Deseja-se Mulher e a colaboração no Centro Nacional de Cultura, que também aqui temos tanta vez referido…
DUARTE IVO CRUZ
