
Os baptizados formam um povo de profetas, reis e sacerdotes. A ruptura numa Igreja de irmãos deu-se com a ordenação sacerdotal, que originou duas classes: clero e leigos.
Todos os cristãos são sacerdotes: oferecem a sua vida a Deus e à sua causa, que é a causa dos seres humanos. Aqueles e aquelas que se reúnem convocados no baptismo pela pessoa de Jesus e o seu Reino formam a Igreja e são povo sacerdotal e sacramento de um mundo outro. Mas é necessário que haja homens e mulheres que dedicam a sua vida ao anúncio do Reino de Deus, conselheiros espirituais que despertam para a transcendência, animadores e coordenadores das comunidades…
Neste sentido, embora sem ordens sacras, continuará o ministério de padres, presbíteros, bispos, líderes das comunidades. Homens e mulheres, casados ou não, escolhidos pelas comunidades ou com a sua participação. Alguns temporariamente, outros de modo permanente. E para quê?
1. Para que a questão de Deus não morra entre os homens enquanto questão. Se a simples palavra “Deus” deixasse de existir, o Homem deixaria de ser Homem, como escreveu Karl Rahner: “A morte absoluta da palavra “Deus”, uma morte que eliminasse até o seu passado, seria o sinal, já não ouvido por ninguém, de que o Homem morreu.” Até filosoficamente, toda a pergunta pelo “sentido da acção humana”, o perguntar pelo “sentido do processo do mundo na totalidade” exigem “um conceito de Deus”. Com o eclipse de Deus, desaparece o sentido do mundo, que o Homem “em vão tenta reencontrar mediante uma acumulação de racionalidade”. Mas já Georges Gusdorf tinha prevenido: “O caos, o absurdo, hoje, não propõem possibilidades abstractas; campeiam por todo o lado, não por insuficiência de racionalidade, mas por superabundância e excesso de lógica, de técnica, de intelectualidade parcelar, num universo em que a imensa acumulação de pormenores contraditórios oculta, ou mesmo destrói, a ordem humana. Deus morreu, a História enlouqueceu, o Homem morreu: tudo fórmulas desesperadas que exprimem a tomada de consciência, e o ressentimento, da ausência do sentido.” O mundo parece encontrar-se perante um facto decisivo e mesmo único: se, independentemente da sua resposta positiva ou negativa, o Homem já não vir pura e simplesmente necessidade de colocar a questão de Deus, isso significa que, pela primeira vez na sua história, a Humanidade sucumbe à imediatidade, a uma visão fragmentária do aqui e agora e “abdica da sua procura de sentido”.
Mas o Homem enquanto for Homem não deixará de perguntar, e toda a pergunta, em última instância, desemboca na pergunta pelo Ser Absoluto e Fundamento Último. Como diz Ciorán, “tudo se pode sufocar no Homem excepto a necessidade do Absoluto, que sobreviverá à destruição dos templos, e inclusivamente ao desaparecimento da religião”. No mesmo sentido, afirma L. Rougier: “A Igreja pode declinar, mas o sentimento religioso grávido de um impulso para o ideal, de uma sede do Absoluto, de uma necessidade de superar-se, que os teólogos chamam transcendência, subsistirá.”
2. Líderes, para que a causa de Jesus, que é o Reino de Deus enquanto causa do Homem, não morra entre os homens. Líderes, portanto, exercendo, com o Povo de Deus, o tríplice múnus de Cristo, profeta, rei e sacerdote.
Profetas, anunciando o Deus Pai/Mãe que quer a salvação de todos os homens e mulheres. Não um deus do terror, mas o Deus da alegria e da vida; não um deus da exclusão, mas o Deus do perdão sem condições, que a todos acolhe, sobretudo aqueles e aquelas que são excluídos e marginalizados por motivos sociais, económicos, sexuais, religiosos; não um deus infantil, infantilizante e imoral, mas o Deus que é força de autonomização e dignificação. Profetas, que, parafraseando Kafka, falam sobre Deus, porque primeiro aprenderam a falar a Deus e com Deus. Profetas que sabem ler os sinais do mundo e dos tempos, que perguntam e escutam, e preparam anunciadores do Reino de Deus, implicados numa pastoral da interrogação, que tem a ver com dar razões da dúvida e razões da fé e da esperança. A fé não pode encerrar-se nas muralhas de um dogmatismo fixo, coisista e morto, mas tem de abrir-se ao diálogo e à razão crítica.
Líderes com um múnus régio. Jesus respondeu a Pilatos: sim, sou rei; nasci para dar testemunho da verdade. E já tinha dito: “Vim para servir, não para ser servido.” Líderes, portanto, para animar comunidades cristãs fraternas, de serviço à dignidade infinita do ser humano. Desgraçadamente, a globalização está a ser sobretudo mundialização do mercado, no quadro ideológico do neoliberalismo, que cava cada vez mais fundo o fosso entre ricos e pobres. Os números não param de chegar, alarmantes e falando por si. Para quem tenta seguir Jesus Cristo, este estado de coisas é intolerável, bem como toda a exploração do trabalho, o racismo, os vários tipos de discriminação, qualquer violação dos direitos humanos. Trata-se, portanto, do combate lúcido e eficaz pela dignidade livre e pela liberdade com dignidade de todos os homens e mulheres, a começar pelos mais pobres, pelos humilhados e excluídos.
3. Não há religião verdadeira sem justiça e solidariedade. Mas isto implica que a justiça e o respeito pelos direitos humanos têm de começar pelo interior da própria Igreja. Na Igreja, Jesus até queria mais do que uma democracia, pois o que ele propunha era uma filadélfia, isto é, comunidades de irmãos e amigos (lê-se no Evangelho de S. João: “Já não vos chamo servos, mas amigos”).
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN | 1 MAIO 2021
tantas mulheres que foram apedrejadas até à morte, tantas que morreram na fogueira, outras foram marginalizadas pelos cardeais de Roma por serem Maria Madalenas, ai as mulheres que a Igreja sempre que as colocou sempre em segundo plano, coitadas de todas estas mulheres e suas almas.
Hoje, não encontram homens com H grande para entrar nas suas fileiras e por isso recorrem às mulheres, tanta bofetada que as Mulheres levaram durante séculos de indiferença da Igreja Católica, eu tenho memória curta, mas muitos não tem, erram e continuam a errar.
Eu não sou Deus, eu não posso perdoar aqueles que fizeram tão mal às mulheres, os Santos da igreja já pediram a Deus, se as Mulheres podem ordenar ? Deus omnipotente já desceu dos céus para indicar aos homens para seguirem este caminho. Eu não tive conhecimento dessa divindade ter descido dos Céus, decidido este novo Rumo, os rumos são obra dos homens, não de Deus indivisível, omnipotente, e que acho que deve perdoar, será que perdoa !
O livro sagrado foi assinado pelo seu autor ?
João Felgar
Possuo registos mais antigos do velho testamento e reparem nisto, na pagina 80.
La Sainte Bible, qui contient le Vieux et le Nouveau …1724
Et il vint , & prit le livre de la main droite verre semblable au cristal : & au milieu du trône , & de celui qui étoit assis sur le Trône . autour du trône , quatre animaux …
pagina 52, 57, 59, 80, 117, 122, falam dos Judeus, Jesus Cristo era o Rei dos Judeus, toda a conversa da bíblia sagrada da Católica tem fundamentos de Israel de Judaicos, e este povo foi sempre sacrificado pela Santa Igreja Catholica Romana e Apostólica.
L E L E VITI Q U E, TROISIEME LIVRE DE M O Y SE.
A R G U M E N T.
Le Livre du Levitique est cinsi appellé , parce qu’il regle principalement les fonctions des Levites ; & des Sacrificateurs dans le Service divin. » Il contient prémierement , les Loix touchant les Sacrifices , les Oblations , la Lepre, & les diverses Cérémonies , que le Peuple d’Israel devoit observer. On y voit ensuite, plusieurs autres Loix qui regardent le Culte religieux , & la conduite & les meurs des Israelites. Comme ces Loix étoient particulieres au Peuple d’Israël, & que l’observation en étoit attachée au Païs de Canaan, au Tabernacle, d à l’ancien Temple, & qu’elles ne devoient subsister que jusqu’à la venue de 7. Chrift ; nous avons seulement choisi les Chapitres de ce Livre qui nous fournissent les reflexions de les instructions les plus importantes. Cependant il faut se souvenir que ces Loix avoient été très-sagement établies, pour instruire les Juifs, des principaux devoirs de la Religion , & pour les empécher de tomber dans l’ldolatrie . Au reste, nous devons considerer, que puisque nous avons en 7. Christ, ce qui étoit representé par les Cérémonies legales , nous sommes indispensablement obligez de rendre volontairement à Dieu le Culte Spirituel & raisonnable qui nous est prescrit dans l’Evangile.
Agora quem inventa coisas sobre a fé ? É para refletirem
João Felgar