The few, 1940
O English Channel ainda treme com a queda do baluarte francês às mãos das forças nazis. Falando na House of Commons a 1940 August 20, recentíssimo na Premiership, Sir Winston S. Churchill ecoa a coragem ética dos The Few num dos seus mais memoráveis war speeches. Vive-se o auge da Battle of Britain. Os Aliados recuam, no milagre chamado Dunkirk. Germany domina de Warsaw a Calais. — Conjugue-moi le verbe gouverner à tous les temps! A atenção de Berlin concentra-se nos últimos resistentes. Esgrimindo o Diktat von Versailles, o Führer aponta a Wehrmacht para Moscow e dispara a Luftwaffe contra London. Os planos de invasão intensificam-se com os bombardeamentos mais um saboroso last appeal to reason de Herr Adolph Hitler, discurso de veraneio massivamente distribuído por bombardeiro nos céus de London. — Hmm! One law for them, and another for all the rest! Com o regresso à Cold War jogado nas fronteiras da Ukraine e nos cálculos das sanções económicas à liderança russa, a ameaça do terrorismo islâmico recobre hoje as páginas dos jornais. Mr David Cameron afirma que não enviará mais UK soldiers para a Mesopotamie. O conflito de Gaza segue com intermitências. O vulcão islandês Eyjafjallajokul ameaça entrar em erupção no teto do mundo.


Mild weather pela ilha em semana nublada, com o regresso de férias marcado por novas vagas de glorious spin. O calendário indica one-month to go para o crucial neverundum escocês e também um momento definidor na história ocidental vivido no temível 1940. Em Westminster, Mr Churchill louva o heroísmo dos pilotos da Royal Air Force para deter a operação nazi cunhada de Sealion. O Prime Minister faz o ponto da situação dos primeiros 12 meses da II World War, notando a sua diferente natureza estratégica e sublinhando com satisfação o menor número de baixas humanas face à guerra de atrito em 1914-18. O discurso davidiano é notável no que diz e como é dito a um esmagador Nazi power que se agigantara tal qual filisteu Goliath. As palavras denotam a estatura moral e emocional do war leader: “The gratitude of every home in our Island, in our Empire, and indeed throughout the World, except in the abodes of the guilty, goes out to the British airmen who, undaunted by odds, unwearied in their constant challenge and mortal danger, are turning the tide of the World War by their prowess and their devotion. Never in the field of human conflict was so much owed by so many to so few. All hearts go out to the fighter pilots.”
Mr Churchill responde a célebre intervenção feita pelo chanceler germânico no Reichstag, a “a solemn hour” apresentada ao German Volk como exórdio à sanidade e aos Londoners enquanto ultimato à razão. São 120 minutos a discorrer sobre a “Nazi Revolution” após a conquista de Paris, entre a promoção de heróis como o Field Marshal Hermann Göring e os anúncios da “eternal greatness of the National Socialist Greater German Reich.” Ora, o discurso vira anedota aquando da distribuição aérea. A morale dos irredutíveis indígenas não quebra como previsto pelos comandos nazis. No céu e na terra, os corações estão irmanados. Depois do que assinara no Munich Agreement, aliás, a palavra de Herr Adolph Hitler não valia aqui one pence sequer. O Führer alienara a credibilidade ao negociar ardilosamente com RH Neville Chamberlain. Como sustenta Marcus Cícero em De Officiis, a fundação da justiça é a boa-fé. E por boa-fé entende a verdade e a fidelidade em promessas, juras e acordos. Ontem como hoje, o poder tem destes limites imateriais.
Por pensar em cómicos… O humorista Tim Vine ganha o 2014 Edinburgh Fringe Award na ilustre categoria de Funniest Joke. A sua one-liner vitoriosa no Pleasance Courtyard: “I’ve decided to sell my hoover… well, it was just collecting dust”. A graça aparece na stand-up tour ‘Timtiminee Timtiminee Tim Tim To You,’ mas o Dave Award abre fronteiras de comicidade no debate escocês. — Dear, at the end of the day, short of money with all these millions around?… Crisis, what crisis?!
St James, 19th August
Very sincerely yours,
V.


