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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

 

(I) AREIAS DE PORTUGAL

Conta-se que o velho Jorge de Albuquerque Coelho, vindo de Pernambuco, de idade muito avançada, se sentava em frente ao mar para contar a sua história: “Lá vem a nau Catrineta, que tem muito que contar. Ouvi, agora, senhores, uma história de pasmar…”. Segundo Almeida Garrett, que recolheu o romance popular, A Nau Catrineta baseia-se no Naufrágio que passou Jorge de Albuquerque Coelho, vindo do Brasil, no ano de 1565, relatado na “História Trágico-Marítima”.  Refere-se a lenda à nau “Santo António”, saída de Pernambuco com destino a Lisboa, levando a bordo o filho do fundador do Recife.  Pouco depois de deixarem terra, avistaram um navio corsário francês, que pilhava as naus naquelas paragens. A abordagem dos piratas foi eficaz e a nau foi saqueada de todos os seus haveres e deixada à deriva. Os tripulantes foram morrendo de sede e de escorbuto e os que sobreviviam sabiam-se condenados (“já não tinham que comer / já não tinham que manjar”).  O desespero apoderou-se dos marinheiros (“deitaram sortes à ventura / qual se havia de matar”; “logo foi cair a sorte / no capitão-general”). Os ânimos estavam muito exaltados (“vejo sete espadas nuas / que estão para te matar”). E Jorge de Albuquerque Coelho levantou-se, aconselhando calma e apelando à dignidade de homens. Os tripulantes serenaram, enquanto a nau continuava à deriva. Por fim, foram avistadas areias de Portugal (“já vejo terras de Espanha / areias de Portugal. / Mais enxergo três meninas / debaixo de um laranjal; / uma sentada a coser / outra na roca a fiar, / a mais formosa delas/ está no meio a chorar”). Mas eis que o demónio se alevanta – “Capitão, quero a tua alma / para comigo levar”. Nem filha, nem corcel, nem Catrineta – “Que queres tu meu gageiro / Que alvíssaras te hei de dar?”. “Capitão quero a tua alma / para comigo levar”. E responde o comandante “Renego de ti demónio / Que me estavas a tentar / A minha alma é só de Deus, / O corpo dou eu ao mar”. E desenha-se o epílogo: “Tomou-o um anjo nos braços / Não no deixou afogar / Deu um estouro o demónio / Acalmaram vento e mar”. “E à noute a Nau Catrineta / estava em terra a varar”… Os elementos do poema permitem identificar, assim, a nossa alma – e as “areias de Portugal” constituem o que nos caracteriza, de modo que o mar é em simultâneo fronteira e horizonte, chegada e partida, lírica e tragédia – e assim razão de ser da persistência da independência do território e da pátria.

 

GOM

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Comentário sobre “MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

  1. Eu quero deixar este registo do tempo do Reinado de Dom Luís I Rei de Portugal e trago os registos em parte em latim. Dizem os historiadores portugueses e brasileiros que o Brasil teve a sua independência em 1824, muito bem.

    Trago uma prova mais que evidente que o Reino do Brasil pertenceu exclusivamente a Portugal até 1890, possuo registo de 1867. Os Três Reinos existem desde 1828 a 1890.

    Eu 10 DE JILIO DE 1867.

    do Director do Archivo Publico.-Remette a Bulla, que se

    transcreve, do Papa Bento XIV de 7 das Kalendas de Maio de 1746, sobre alterações nos limites das Dioceses do Brasil.

    6. Secção. Rio de Janeiro.- Ministerio dos Negocios do Imperio em 10 de Julho de 1867.

    Remetto a V.S., para ser guardada no Archivo Publico, a inclusa Bulla do Santissimo Padre Bento XIV, datada de 7 das Kalendas de Maio de 1746, sobre alterações nos limites das Dioceses no Brasil.

    Deus Guarde a V. S.- José Joaquim Formales Torres. Sr. Director do Archivo Publico.

    Balla do Papa Bento XIV, de 25 de Abril de 1716, a que se refere este Aviso, remettida ao Ministerio do Imperio pelo Enviado Extraordinario e Ministro Plenipotenciario do Brasil em Lisboa, com officio se 11 de Junho de 1867.

    D. Luiz por graça de Deus, Rei de Portugal dos Algarves, elc. Faço saber que, havendo-me requerido João Pereira de Andrada que no real archivo da Torre do Tombo se lhe passasse por certidão o teor da Bulla do Santissimo Padre Bento XIV, -Significavit nobis nuper-do anno da Encarnação de 1746, a 7 das Kalendas de Maio (25 de Abril) sexto do Pontificado do mencionado Santissimo Padre, pela qual foi concedido a El-Rei o Sr. Dom João V, e a seus successores, faculdade para determinar os novos limites das parochias do arcebispado da Bahia, bispados e prelazias da America; e obtendo despacho do Guarda-mór do dito archivo na data do dia 27 do mez de Maio do anno de 1867, em seu cumprimento se buscarão os massos respectivos, e no masso 55 de Bullas, n.° 3, foi achada a dita Bulla, do teor seguinte:

    Benedictus, Episcopus, Servus, Servorum Dei.Ad perpetuam rei memoriam. – Significavit nobis nuper per suas litteras, charissimus in Christo Filius noster, Joannes hoc nomine , Portugalia et

    DRCISÕES DE 1867. 28

    Algarbiorum Rex Illustris, quod in America limites Diccesium nulla naturalium, terminorum per Caeli plagas, aut montes, aut fluvios habita ratione, nimis inconsulte positi, et territoria confusa existund; postulavit propterea á nobis idem Joannes Rex, ad consulendum opportune in præmissis, infrascriptam facultatem sibi desuper impartiri. Nos igitur de pietate ejusdem Joannis Regis, eximii que animis sui dotibus, ejusque in hanc Sanctam sedem meritis plene edocti, id circo ejus votis hujusmodi hac in parte libenter annuentes, Molu proprio, el ex certa scientia, meraque deliberatione nostris, deque Apostolicæ potestatis plenitudine, dicio Joanni, et pro tempore existenie Portugaliæ et Algarbiorum Regi tanquam sedis Apostolicæ delegato facultatem tenore præsentium concedimus, et impartimur; ut ipse novos, tam Archiepiscopatus Sanctis Salvatoris in Brasilia, quam aliorum Episcopatuum tam erectorum, quam erigendorum, nec non Prælaturarum, sub ejusdem Regis dominio in America existentium, limites, etiam non consentientibus Archiepiscopo, vel Episcopis præfectis, limites antiquos de una Diæcesi ad aliam transferendo, illosque variando, amplificando, vel restringendo, certosque estabeliendo, decernere, et præfinire libere, et licite possit, et valeat: ita tamen quod nova assignatio limilum hujusmodi, postquam per dictum Joannem, et pro tempore existentem Regnorum præfatorum Regem statuta fuerit, variari iterum non possit sine novo sedis Apostolicæ beneplacito; et cum hoc, quod si cidem Joanni, et pro tempore existenti dictorum Regnorum Regi visum fuerit, novorum Episcopatuum, seu novarum prælaturarum erectionem inira limites diæcesis, et ierritorii Archiepiscopatus Sancti Salvatoris in Brasilia, et aliorum Episcopatuum in America……

    E auando tivermos a Monarquia Portuguesa novamente implementada, eu vou buscar a Espanha e o Brasil. Pelos acordos de 17 de Maio de 1703.

    João Felgar

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