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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

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   (XX) O CAVALO LUSITANO

 

Quando lemos “A Ilíada”, encontramos a referência aos melhores cavalos de Aquiles, Balio e Xanto, provenientes das “margens do rio Oceano”. Tudo leva a crer que Homero se referia às costas atlânticas da Península Ibérica, tornadas célebres pelos seus equídeos. Do mesmo modo, Xenofonte refere-se aos cavalos ibéricos tidos como invencíveis, que combatiam na Grécia como mercenários. Segundo os mais probos estudiosos, como Ruy d’Andrade, a arte da equitação teria nascido nas planícies do Tejo, onde hoje se cria o Cavalo Lusitano. E, de acordo com a mitologia antiga, a lenda do Centauro, metade homem e metade cavalo, teria sido originada na mesma região do Tejo, onde autores árabes do tempo da conquista moura aludem à crença muito antiga de que as éguas eram fecundadas pelo vento, tal a velocidade e destreza de seus filhos. Assim, o Puro-Sangue Lusitano faz parte das mais antigas referências das culturas mediterrânicas, podendo ver-se já as suas características fundamentais nas representações das grutas do Escoural – em contraste com os garranos primitivos das montanhas, pintados em Lascaux ou Altamira.

 

Depois de um momento de glória, em que os cavalos lusitanos eram requisitados para todas as cortes da Europa, pelas suas qualidades artísticas, houve um tempo que pareceu condenar à extinção tão célebre estirpe, esgotada nas campanhas napoleónicas e subalternizada pela moda do Puro-Sangue Inglês. Foi possível, porém, a recriação do cavalo lusitano já no século XX – dócil, sofredor, generoso e ardente – e é essa saga que constitui matéria-prima para o renascimento atual do Puro-Sangue Lusitano. E quando falamos de uma identidade cultural que se afirma e consolida, a propósito de um rico património equestre, estamos a referir-nos à lição fundamental da cultura portuguesa, como realidade multímoda e complexa, que apenas se enriquece quando se abre ao exterior e tem a generosidade e a inteligência de se fortalecer em diálogo com os outros, mercê das trocas, dos encontros e da capacidade de se tornar melhor.

 

O Puro-Sangue Lusitano é um bom símbolo da cultura portuguesa – menos caracterizada pela de adaptação e mais pela persistência, maturação e gradual afirmação própria. Importa. aliás, recordar Mestre Joaquim Miranda, o último mestre-picador da Casa Real a percorrer então a pacata cidade de Lisboa com os seus alunos, fazendo jus à velha tradição setecentista da Real Picaria … E foi a consideração das qualidades equestres do Puro-Sangue Lusitano que recuperou a ancestral tradição do cavalo de Finisterra. E não podemos esquecer Frei António das Chagas no poema dedicado ao cavalo do Conde do Sabugal, em que “na harmonia de cadências tantas, / É clave o freio, é solfa o movimento. / Ao compasso da rédea, ao instrumento do chão que tocas, /quando a vista encantas…” Ao longo das páginas que se seguem tomamos conhecimento, em testemunho direto, de uma história de amor e de persistência de cultura e de arte – sobre o puro-sangue lusitano. E voltamos a Frei António das Chagas: “Cantam teus pés e teu meneio pronto, / Nas fugas, não, nas cláusulas medido, /Mil consonâncias forma em cada ponto…” Que melhor elogio poderemos ter da harmonia e da destreza, da fidelidade e da nobreza? Bruno Caseirão em “O Cavalo Lusitano – Tradição, Cultura e Património Equestre” ilustra bem a história muito rica dessa heroica estirpe de equídeos ibéricos.

GOM

 

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3 comentários sobre “MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

  1. É preciso falar sobre a nossa Cultura dos animais, dos nossos rituais pagãos, a diversidade de regiões com as suas particularidades, no caso do Cavalo Lusitano a sua história de onde veio, que se espalhou pelo o mundo inteiro com as Descobertas com apoio das Lojas da Maçonaria provenientes da casa de Lancastre por João de Gant e sem estes intervenientes, nós Portugal não tínhamos a importância que tivemos noutros tempos.

    É preciso mostrar os criadores de cavalos, mostrar o trabalho desenvolvido por estas ilustres gentes, dou vos um exemplo de muitos outros.

    Coudelaria Luís Folgado

    Puro Sangue Lusitano

    Há 25 anos, no Alentejo, que criamos cavalos Puro-sangue Lusitano, sempre com preocupação no desenvolvimento das características morfo-funcionais do PSL e com uma atenção muito especial na montabilidade.

    Nos últimos 10 anos focamo-nos na modalidade de Dressage procurando seleccionar animais que, para além de conservarem todas as características morfológicas do cavalo puro-sangue lusitano, disponham ainda de uma excepcional aptidão desportiva.

    É prática desta coudelaria só utilizar nas nossas éguas os garanhões que se destaquem desportivamente e que através das suas particularidades, complementem as qualidades das nossas reprodutoras, procurando desse modo melhoramentos no genótipo e fenótipo dos (as) nossos (as) poldros (as).

    Dispomos de um centro de ensino e desbaste no Estoril (25 km de Lisboa), onde avaliamos e treinamos todos os nossos animais, desde o desmame até ao mais elevado grau de ensino.

    Outro exemplo:

    Coudelaria de Alter do Chão

    Ao entrar na Coudelaria de Alter, Coudelaria Nacional, entra no reino do puro cavalo Lusitano.

    São 800 hectares de uma propriedade de paisagem deslumbrante, dedicada à nobreza do Lusitano. Foi nesta antiga Coudelaria Real, fundada em 1748 e tendo por objetivo preparar cavalos para a Picaria Real, que por vontade do rei D. João V se iniciou a sua produção. “Que se conserve sempre pura esta raça”, ordenava-se no reino em 1812. Depois de alguns percalços dos tempos, a Coudelaria está revitalizada, mas não pense que virá aqui só para ver a digna raça equídea.

    É preciso respeitar a nossa cultura do tempo da Monarquia Tradicional, com verdade

    João Felgar

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