
Meu Caro José:
…e o padre Francisco Gonçalves, como lhe competia, respondeu, Todo o saber está em Deus, Assim é, respondeu o Voador, mas o saber de Deus é como um rio de água que vai correndo para o mar, é Deus a fonte, os homens o oceano, não valia a pena ter criado tanto universo se não fosse para ser assim, e a nós parece-nos impossível poder alguém dormir depois de ter dito ou ouvido dizer coisas destas.
Ao escrever estas poucas linhas, mais do que as suas personagens, estaria o próprio autor inquieto. Você mesmo o confessa, meu caro José, ter-lhe-á sido difícil conciliar o sono depois de as ter pensado e redigido… A mente humana é muito sensível, por isso gosto de dizer que a expressão pensossinto me parece mais realista e acertada, e ainda mais conforme à inquietação que nos percorre e, por vezes, nos faz tremer, mesmo quando não tememos. Da ignorância diremos que é noite do espírito, escuridão, não temos medo necessariamente do que ela esconde, receamos, sim, a nossa própria incapacidade de desenhar as coisas e de, tão temerariamente quanto possível, as nomearmos. Noutro passo do seu Memorial, o José Saramago também se interroga sobre o significado de só Deus, o Sem Nome, saber o nome de tudo e todos, deixando-nos a nós, humanos, o labirinto que vamos semeando de invenções. Não ficou escrito assim, nem por esta ordem, mas assim veio habitar o meu pensarsentir.
Aliás, a resposta do padre Francisco Gonçalves acima transcrita resulta de interpelação feita pelo padre Bartolomeu Lourenço, como significativamente o José conta no Memorial : Dormiu cada qual como pôde, com os seus próprios e secretos sonhos, que os sonhos são como as pessoas, acaso parecidos, mas nunca iguais, tão pouco rigoroso seria dizer Vi um homem, como Sonhei com água a correr, não chega isto para sabermos que homem era nem que água corria, a água que correu no sonho é água só do sonhador, não saberemos o que ela significa ao correr se não soubermos que sonhador é esse, e assim vamos do sonhador ao sonhado, do sonhado ao sonhador, perguntando, Um dia terão lástima de nós as gentes do futuro por sabermos tão pouco e tão mal, padre Francisco Gonçalves, isto dissera o padre Bartolomeu Lourenço antes de recolher ao seu quarto…
Tenho para comigo que a nossa humana inquietação brota duma qualquer mista consciência de perplexidade (ou, talvez, humilhação revolta) e de curiosidade (pertinaz, teimosa, ousada) – e, ao pensá-la assim, estou sentindo outra iluminação, um encanto novo no conto genético da tentação do fruto proibido da árvore do conhecimento. Será esse o paradoxo da condição humana, ou descoberta da nossa contingência na própria ânsia do cumprimento de uma promessa inicial e fundadora da nossa própria humanidade? Terão Adão e Eva errado por desejarem conhecer a verdade? Tal desejo não seria, afinal, já parte própria deles mesmo? Ou serão os erros cometidos condição necessária do conhecimento do bem e do mal?
No Memorial, eis o que diz padre Bartolomeu a Domenico Scarlatti: … é um defeito comum nos homens, mais facilmente dizerem o que julgam querer ser ouvido por outrem do que cingirem-se à verdade, Porém, para que os homens possam cingir-se à verdade, terão primeiramente que conhecer os erros. E praticá-los, não saberei responder à pergunta com um simples sim ou um simples não, mas acredito na necessidade do erro…
… Tendes razão, disse o padre, mas, desse modo, não está homem livre de julgar abraçar a verdade e achar-se cingido com o erro, Como livre também não está de supor abraçar o erro e encontrar-se cingido com a verdade, respondeu o músico, e logo disse o padre, Lembrai-vos de que quando Pilatos perguntou a Jesus o que era a verdade, nem ele esperou pela resposta, nem o Salvador lha deu, Talvez soubessem ambos que não existe resposta para tal pergunta.
Ou talvez fosse só Pilatos cético, pois Jesus, Deus que era, não só se manteve calado durante todo o processo, como quiçá entendia que não chegara a hora de revelar um vislumbre sequer da verdade ontológica que só a Deus pertence… A cada um de nós cabe a tarefa de procurar a verdade possível de encontrar, e só o amor posto nesse trabalho nos trará o perdão que o ter-se amado consegue. E bem diz, meu caro Saramago: Procura cada qual, por seu próprio caminho, a graça, seja ela o que for, uma simples paisagem com algum céu por cima, uma hora do dia ou da noite, duas árvores, três se forem as de Rembrandt, um murmúrio, sem sabermos se com isto se fecha o caminho ou finalmente se abre, e para onde, para outra paisagem, ou hora, ou árvore, ou murmúrio, veja-se este padre que anda a tirar de si um Deus e a pôr outro, mal sabendo que proveito haverá na troca, e, se proveito houver, quem dele finalmente aproveitará, veja-se este músico que outra música que esta não saberia compor, que não estará vivo daqui a cem anos, para ouvir a primeira sinfonia do homem, erradamente chamada Nona…
Ao Deus sem nome – e talvez por isso mesmo – deram os humanos muitos nomes. Ao Deus desconhecido inventaram histórias e preceitos, de forma a torná-lo por vários gostos reconhecível. Mas há um – cujo nome está acima de qualquer nome – que nos envia o seu Primogénito a ensinar-nos o Santo Nome: PAI. E nós assim dizemos: Pai nosso, que estás no Céu, santificado seja o teu nome… Veja bem, meu caro José Saramago, como, por este caminho, me vou despindo de orfandade, e pensossinto que religiosa ou religioso é todo o ser humano que, dia a dia, sai de si para ir em busca do Pai…
Camilo Maria
Camilo Martins de Oliveira
O Saramago não falou da sua religião , o comunismo e as atrocidades que cometeu.
Interessante, coloca o dedo na Frida, o Saramago era ateu e sempre o disse, não tinha religião. Era um bom escritor, como muitos que temos e o CNC permite a sua divulgação para todos e assim cada um faz o seu juízo.
Os crimes do comunismo, da extrema direita, das ditaduras de muitos nesta Europa e tivemos o Estado Novo que aqui não contam a quantidade de portugueses que foram explorados e escravizados no caso do Volfrâmio e para alguns e familiares próximo de António Oliveira Salazar, terem fundos em barras de ouro em Berna na Suíça e que usaram para destruir o dinheiro deixado pelo seu tio o Salazar, ao sobrinho, que teve a Casal das motas, a Cacia que foi comprada pela Renault, Vulcano que foi comprada pela Junkers amigos do tio Salazar aquando da 2 guerra mundial e mundo é muito pequeno, todas estas empresas tiveram um findo de 2 milhões de contos em barras de ouro, deixados pelos coitados dos portugueses que morreram em valas, sem terem um descanso merecido. Até poderia dizer que o Hitler era um animal e o Salazar era um Santo ? dezenas de milhares de portugueses enterrados em valas, isto é que deviam falar.
Para calar de vez, os saudosistas pelo estado Novo.
João Felgar
O ditador provinciano Salazar recebeu uma mensagem de Samora Machel que dizia: 《…por cada soldado que mandar para Moçambique, além de lhe entregar um arma ofereça-lhe um caixão》. Esta história foi-me contada por um militante da FRELIMO pouco depois do 25 de abril. Há muitos segredos que ainda não foram divulgados.
É verdade o que diz, é.
Eu não tenho afinidade pelo Estado Novo, mas existe muito boa gente nos nossos partidos políticos que tem uma saudade desse tempo e dos métodos de controlo da Covid19 que ainda não há controlo de nada, usam os meios da Ditadura com imensos Estados de Emergência, Calamidade e qualquer dia temos outras variantes.
Eu sou monárquico de corpo e alma, procuro pela verdade e muitos republicanos acusam a monarquia de falta de democracia e liberdade, tivemos 1128 anos de monarquia desde 744 a 1910 de Monarquia e vivíamos em democracia, só quando veio a Inquisição no tempo de D. Manuel I até D. Sebastião ai tivemos terror era uma Ditadura da Religião.
Quando João IV infante Espanhol ascendeu a Rei de Portugal em 1656 e já era rei da Gália (França), Bélgio (Bélgica) e Inglaterra desde 1621 a 1640. Existem provas em latim para encostar qualquer historiador e ou doutores e mestre em arte da história a um canto, calo os de vez.
Portugal tem uma tradição secular de hereditariedade no sangue para ter tido um reino que durou este tempo todo, nós fomos um dos reinos da Europa que não teve convulsões internas de relevo, tivemos sim o Miguel de bourbon bastardo a sangue a João VI e que assassinou 70 mil portugueses numa guerra civil de 4 anos. e depois foi expulso, devia ter sido enforcado, era.
Foi usurpador, limitou o povo à sua liberdade, exterminou aldeias completas, de norte a sul de Portugal e hoje temos a descendência pelo Sr. Duarte Pio que não é nada a Portugal, por sangue e nem por casa nenhuma.
João Felgar
Os nossos Reis Portugueses e Espanhóis vieram de Limburg e os Reis de França Louis I a Louis XVI, tinham como sobrenome Felge ou Felgerum ou Folger, como em Portugal o João IV era infante espanhol com o mesmo sobrenome de Felgarum na qual o seu tio Philippe IV de Espanha deu o reinado de Portugal em 1656 após o seu falecimento.
Denne Rejseplan faldt ikke i Fyrsten af Limburgs Smag; men Underdanighed over for en Prinsesse af det kej. serlig russiske Hus og Udsigt til Held for den Plan, der kunde bringe ham selv stor Fordel, bevirkede, at han gav sit Samtykke. Prinsessen viste ham et Brev fra Grevinde Sangusko i Paris, i Felge hvilket Kong Ludvig XV. billigede hendes Hensigt at rejse til Konstantinopel for der fra i et Manifest at fremsætte sine Fordringer paa den russiske Trone. Ved et skriftligt Patent tillod Fyrsten hende efter hans Død at antage Titel som Fyrstinde af Limburg-Styrum og skaffede hende til Trods for sin Pengeforlegenhed Midler til at tage af Sted med fyrsteligt Følge. Den 13de Maj 1774 rejste hun under Navn af Grevinde af Pinneberg – et af de Herskaber i Holsten, hvorpaa Fyrsten mente at have Fordringer, og selv fulgte han hende til Zweibrücken.
Catharina Ducifîà Bragantiæ , ejusdem Eduardi filia , & Philippus Rex Caftellæ Elizabethæ filiüs.; A Philippo IV. (PhiIippi II. qui armis regno potitus eft, nepote) Lufitani regiminis Caftellani pertaefi, defcifcentes, Iohannem Bragantiæ Ducem,Theodofiifilium, & Catharinæ nepotem ad regnum promoverunt: €aftellani id ut in^ juftè, & nequiter fà&um incufànt: Quod non folum jure fànguinis, fed juftae vitoriæ, Philippüs II
honori Ferdinardi Auftriaci Felgarum Gubernatoris à S. P. Q. Antuerpienfi decreta , & adornata cum figuris & iconibus, à P P. Rubenio, delineatis, & commentario Cafperii Gevartii. Antuerpiæ, à Tulden, 1641. in-fol. atl. v
Regiæ Philippi IV. ad Marchioncm de Caracena Belgii Hifpanici Gubernatorem;Jus Felgarum circa Buliarum Pontificiarum Receptionem : y el otro : Defenfio Belgarum confra Evocationes , & Peregrina judicia
Aqui falam dos direitos de sucessão entre reinos de França e Aragão e das ligações Judaicas como parte da Monarquia de Espanha e França.
RENONCIATION DE JACME A SES DROITS SUR LA PROVENCE EN FAVEUR DE MARGUERITE, REINE DE FRANCE
Hoc est translatum de expresso mandato Serenissimi ac magnifici principis et domini Domini Petri Dei gratia Regis Aragonie bene et fideliter sumptum de tenore cujusdam carte donacionis facte illustri domine Regine Ffrancie per serenissimum dominum Regem Jacobum abavum dicti domini Regis inserlo in quodam libro pergameneo recondito in archivo regio Barchinonis in quoquidem libro similiter sunt inserti tenores diversarum cartarum et privilegiorum. Cujus quidem tenoris ipsius carte donacionis series sic habetur. Noverint universi quod nos Jacobus Dei gracia Rex Aragonie Maiorice el Valencie comes Barchinonis et Urgelli et dominus Montispessulani donavimus et in presenti concedimus et donamus dilectissime consanguinee nostre Margarile eadem gracia nobilissime Regine Ffrancie et post ipsam filio suo cui id relinquere voluerit vel donare omne jus nobis competens vel quod posset nobis occasione quacumque competere in comitatibus Provincie et in dominio vel jure alio quocumque in civitatibus Arelate et Avinionis Massilie et earum adjacenciis seu pertinenciis. Omnem igitur actionem que nobis contra quam cumque personam dictas terras vel aliquid in eisdem tenentem aut possidentem competit vel polest competere sive ad eas vel aliquid de eisdem nobis reddendas vel recognocendas in eam transtulimus ex causa predicte donacionis el transferimus iteralo. Et ut hec omnia perpetua firmitate ullantur presentem paginam sigilli nostri plumbei munimine duximus roborandam. Dalum Barchinone XVI kal. Augusti anno Domini millesimo ducen. lesimo quinquagesim ooctavo. Signum Jacobi Dei gracia Regis Aragonie Maiorice et Valencie comitis Barchinone et Urgelli et Domini Montispessulani. Testes sunt Berengarius de Sancto Vincencio Pelrus de Sancto Minalo G. de Terracia Esiminus Petri de Arenoso G. de Podio. Signum Jacobi de Monte Judayco qui mandalo domini Regis hoc scripsit loco die et anno prefixis. (Archives de l’Empire français, carton J 291.)
João Felgar
Eu sou republicano.
É preciso respeitar cada crédulo, e confio mais em Republicanos que alguns senhores se dizem monárquicos, que de monarquia nada o são, são outra coisa diferente.
Cada um tem a sua opinião e a sua orientação.
João Felgar