
Quando se finge ignorar o que se aguarda
Quando se nasce assim e se é deste planeta
A promessa total a que se entrega
É de uma infinita página em branco
Onde a vida escreverá ou não a traição ao sonho
A farsa
Qual desafio, a quem atire a primeira pedra.
Mas à hora em que mais tempo
Seria demora à morte que viria atónita
É esta a estrela, as asas, o impulso
É acima de tudo o medo de perder-te
E assim te digo de máscara de Veneza posta
No meu rosto em pranto:
Não leves muito a sério
O que te diz a memória da música
Não obstante tanto
Que para ti cantei ao teu desejo
Pois quem te disse que eu não sei que fui ficção
E que a ela me desejei parecer eterna e nua
Enrolada em vermelha seda, minha rival.
Enfim
Provei-te que no vazio
O amor se acalmou por um instante
Sou Marguerite!
Agora
Já bastou como morada
Quatro dias ou sessenta anos
Acompanhar-me-ão.
Teresa Bracinha Vieira
Janeiro 2015