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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

24. OS TUDORS E UMA FALACIOSA HISTÓRIA DE PORTUGAL

Surpreende a desfaçatez com que a série televisiva britânica The Tudors, sobre a vida de  Henrique VIII, de Inglaterra, testemunha a vida na corte portuguesa da época, representando-a falaciosamente como um abrigo bafiento e exótico de atrasados mentais.  

Pejada de inverdades, tem um episódio em que o rei D. Manuel I é representado como um velho corcunda, mal cheiroso e desdentado,  bobo e de olhar libidinoso, numa corte de antiguidades e velharias alienígenas e excêntricas, entre homens pouco dignos e sujos, anciãs vestidas de negro e clérigos de ar inquisitorial, numa sucessão de cerimónias do casamento real com uma fictícia princesa Margarida, irmã de Henrique VIII, nunca casada com qualquer monarca luso, cuja fantasiosa consumação conjugal é de puro mau gosto.         

Como se não bastasse tal falácia, eis que a dita princesa, frustradas as suas expetativas conjugais e reais, agudizadas pela diferença de idades, assassina o rei, asfixiando-o em sigilo com uma almofada, no meio de um grande plano de uns grosseiros e sujíssimos pés.       

Impõe a verdade que se diga que D. Manuel I embora tenha casado três vezes, fê-lo apenas com duas filhas dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, Isabel e Maria, e com D. Leonor, irmã de Carlos V.       

E não foi assassinado por asfixia, mas na sequência do flagelo da peste e de outras epidemias que assolavam o reino.   

Qual a justificação para esta falsificação da história, numa época de ouro da corte lisboeta, do rei venturoso e seu império, demonstrando a importância de Portugal,   mesmo se expectável alguma fantasiosa ficção da narrativa?   

É inadmissível que se deturpe a História, falseando factos e pondo em causa a nossa reputação nacional, não nos defendendo, quer por omissão coletiva e institucional a uma versão indecorosa do nosso passado histórico, quer por omissão de investimento no audiovisual, sob o subterfúgio da falta de dinheiro para ninharias e futilidades, deixando o testemunho da nossa história ao sabor da altivez e sobranceria dos outros.

Continuamos sem filmes, séries documentais, ficcionais e dramas sobre figuras e eventos da nossa história. 

Assim se conclui, de novo, ser uma prioridade estratégica apoiar e investir na ficção do audiovisual, pois um país sem imagens, na era atual, é “um país que não existe”.


04.12.2020
Joaquim Miguel de Morgado Patrício 

Comentário sobre “MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

  1. Caro Senhor Joaquim Miguel de Morgado Patrício

    Apreciei as suas palavras, obrigado. Contam muitas mentiras dos nossos Reis e de fabricações de outras histórias e a República deixa acontecer isto.

    Philippum II, Rex Cafelle, Artonium Regem regno Portugallia. jufte ejegerit p, Manuel Rex Portugalliæ filios, habuit Johannem , Henricum ludovicum, Eduardum & Elzabctham filiam: Johannes fucccffit Emanueli; cujüs ftirpe deficiente, regnum Henrico Cardinali delatum ‘ eft; qui cum fenex effet , & orbus, de fücceffione publicum judicium inftituit , in quo comparuerunt, Antonius Ludovici filius, fed habitus illegitimus ; Rainutius Farnefius Düx Parmenfis ex Maria Eduardi filia nepos, Catharina Ducifîà Bragantiæ , ejusdem Eduardi filia , & Philippus Rex Caftellæ Elizabethæ filiüs.

    ELREY D. MANOEL.
    LXXI. Efte Sello he de cera vermelha , e tem efta letra: Sigillum Sereniffimi Emmanuelis Primi Régis Portugalia & Algarbiorum citra & ultra mare in Africa, Cf China Domini.

    LXXII. Efte Sello he de cera vermelha, pendente de huma trança de lãa azul, branca, e encarnada , com efta letra: Sigillum Sereniflimi Emmanuelis I. Regis Portugaliae (/ Algarbiorum, citra Cf ultra mare in Africa & China Domini. Eftá em huma Carta para que fe dê a Jeronymo de Eça certa quantia, por huma, que largava, e que tinha em Tentugal, que fe deu a D. Alvaro foy feita em Evora a 28 de do anno de 1507. Eftá no Archivo da dita Cafa no maço das Cartas.

    LXXIII. Efte Sello he de cera vermelha, pendente de huma fita de lãa amarelía, com efta letra: Segillus Serenifjimi Emanuel arcitra ultra mare in Africa Guine de íàber, que efte Sello eftá pofto em huma fentença paííàda em nome del Rey D. Joao III. hum anno depois da morte dei Rey D. Manoel feu pay, de quem he o Sello: a qual íèntença foy dada a favor do dito Rey contra Joao de Mello, Capitao da Ilha de S. Thomé , porque foy julgada ao dito Senhor a dita Capitania em Lisboa a 19 de Dezembro de 1522. Acauíà porque puzeraõ efte Sello dei Rey D. Manoel nefte pergaminho de íèntença delRey D.Joaõ íèu filho, anao íèr defcuido, e inadvertencia, naõ poflò entender outra coufa. Eftá na Caía da Coroa, gaveta 13, maço 3.

    LXXIV. He efte Sello de chumbo , e tem a íèguinte infcripçaõ: Sigillum Serenifftmi Emmamte* lis Regis Portugalia, & Algarbiorum , citra, & uU tra mare in Africa, & Dominas Guinea.

    LXXV. He efte Sello de chumbo , pendente de feda encarnada, e branca, com efta letra: Sigillum Serenifimi Emmanuelis Regis Portugalia & Algarbiorum citra , & ultra mare in Africa, Dominus Gutna<e ac Conquillat<e, JS avigationis, tf Commercii JEthiopia, Arabia, Perfil ,&c.

    Eftá em huma Carta paííàda a D. Jayme, Duque de Bragança, e de Guimaranes, que contém huma confirmaçao , e doaçao das Villas de Monfaraz, Soufel, e Alter do Chao, em o Alentejo. Dada em Lisboa a 28 de de 1514. Eftá no Archivo da dita Caía no maço das doações.

    Tambem o achey em huma Carta, em que o mefmo Rey fez doaçao à Infante D. Ifabel, fua filha , da Cidade de Vifeu, e da Villa de Torres Vedras com fuas terras, limites , e termos, com fua jurifdicçaõ, alta, e baixa, Civel, e Crime , mero, e mixto Imperio, falvando fómente para elle a correiçao , e alçada, com todas as rendas, &c. Dada em em Lisboa a 20 de Mayo do anno de 1517. Eftá na Caía da Coroa na gaveta 2 , maço 2.

    LXXVI. Efte Sello he eftampado em obrea. Exifte em huma Carta do dito Rey D. Manoel para o Senado da Camera de Lisboa, que principia: Vereadores nós EIRey vos enviamos muito faudar, OV. em que lhe recomenda dê licença a Luiz Gomes feu criado, que tinha ajuftado o officio de Corretor com Affonfo Quarefma, que tinha o dito officio , e paííàva à India, &c. feita em Almeirim a 25 de Fevereiro de 1516. Eflá no Cartorio do Senado de Lisboa no livro primeiro das Provimentos, e Officios, foi. 47.

    A RAINHA D. LEONOR, Terceira mulher dei Rey D. Manoel. LXXVII. Efte Sello traz Oliverio Uredio na Genealogia dos Condes de Flandes, pag. 134, cora efta letra: Regina Portugalia.

    João Felgar

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