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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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NOVA REFERÊNCIA A JORGE DE SENA


Retomamos a análise do teatro de Jorge de Sena, no centenário do seu nascimento, tal como assinalei no artigo anterior, citando hoje a análise que efetuei na “História do Teatro Português” sobretudo acerca da complementaridade  e continuidade entre o surrealismo e o classicismo da sua criação dramática.

 

E isto porque como já tenho aliás referido também em estudos diversos sobre o conjunto da obra teatral de Jorge de Sena, com eventual exceção do iniciático ato algo prematuro intitulado “Luto” (1938), nos 18 anos do autor, e na sequência desta iniciação aliás interessante, o que encontramos, na vasta dramaturgia de Sena, é uma modernização estética e linguística no conjunto vasto de peças que oportunamente analisámos no artigo anterior.

 

Merece pois desenvolvimento a referência à renovação que a obra dramática de Jorge de Sena, hoje de certo modo como tal esquecida, trouxe para o teatro português. E é novamente de assinalar o envolvimento percursor que já foi referido na sua ligação a certas expressões dramáticas de surrealismo e modernismo em geral.

 

Nesse aspeto, assinala-se a colaboração modernizante no movimento denominado Os Companheiros do Pátio das Comédias, no Teatro Experimental do Porto, e talvez mais do que isso, na adaptação/dramatização para o Rádio Clube Português de 13 romances policiais emitidos em 1948 num programa dirigido por António Pedro.

 

Cita-se o estudo de Eugénia Vasques precisamente intitulado “Jorge de Sena – Uma Ideia de Teatro” (Edições Cosmos – 1988), onde se  qualifica, e bem, “O Indesejado (António Rei)” como “um dos casos mais magistrais de individualidade criativa no quadro do teatro, anterior à introdução das coordenadas do teatro épico em Portugal”.

 

Esta referência é relevante pois documenta uma expressão modernizante e percursora da estética de criação teatral, atribuindo-a com justiça a um autor injustamente algo esquecido como dramaturgo.

 

E mais ainda: que marcou o teatro português tanto como autor, como inovador e produtor de espetáculos. O que muito o singulariza, e torna ainda mais injusto o relativo esquecimento que marca a sua intervenção no teatro.

 

E como bem vimos, se na intervenção de espetáculos a sua obra é menos marcante, a sua dramaturgia é de excelente qualidade/modernidade. Pois, como já referi, representa a mais completa continuidade entre classicismo e modernização, designadamente no surrealismo de muitos das peças.

 

Merece por isso maior destaque. Mas, como infelizmente acontece no teatro português, Jorge de Sena está algo esquecido como dramaturgo…!

 

DUARTE IVO CRUZ

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