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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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O PERIGO DE UM DEUS BOM

 

1. Julgo que o que no Papa Francisco provoca mais a admiração das pessoas, dentro e fora da Igreja — talvez até mais fora —, é ele ser um cristão. Por palavras e obras.

O que é ser cristão? É ser discípulo de Jesus, tentar viver como ele. Jesus é o autor da maior revolução da História, que consiste na revolução da imagem de Deus. Até pessoas que se dizem cristãs continuam com a ideia de que Deus manda epidemias, por exemplo, de que Deus precisou da morte do seu Filho Jesus para se reconciliar com a Humanidade. Pergunto: que pai ou mãe decentes exigiriam a morte de um filho? Em relação ao Deus que tivesse mandado o Filho ao mundo para, pela sua morte na cruz, poder aplacar a sua ira e reconciliar-se com a Humanidade só haveria uma atitude humanamente digna: ser ateu.

Na realidade, Jesus, veio, pelo contrário, revelar que Deus é Pai/Mãe, amigo de todos, que a todos dá a mão, que compreende e perdoa e quer a salvação de todos. Deus é Amor incondicional, “o seu nome é Misericórdia”, diz o Papa Francisco, que faz como Jesus: anima a todos, dá a mão aos mais pobres, abandonados, marginalizados, denuncia a economia financeira especulativa e corrupta, que mata…

Afinal, na Páscoa, a pergunta que precisamos de fazer é sempre esta: Quem mandou matar Jesus, crucificando-o? Dá que pensar e até causa arrepios: Jesus foi mandado matar, em primeiro lugar, pelos sacerdotes do Templo. Eles não toleravam que Jesus dissesse, colocando na boca de Deus estas palavras: “Eu não quero sacrifícios (de pombas, ovelhas, vitelos…), mas sim justiça e misericórdia.” Os sacerdotes viviam, até financeiramente, da exploração do povo em nome da religião. Quem mandou crucificar Jesus, a pedido dos interesses do Templo, foi o representante do Império, Pilatos. Para que é que existem os impérios senão para idominar, explorar, escravizar? Pilatos teve medo de que o fossem denuncar ao imperador por libertar um subversivo com consequências para o poder imperial. De facto, o Deus de Jesus não quer escravos nem explorados por impérios ou seja pelo que for. Deus quer a dignidade de todos.

Não é esta dignidade e justiça para todos que Francisco também anuncia, quer e pratica?

Até parece que nos damos mal com um Deus bom para todos. Talvez não seja só parecer; em geral, damo-nos mesmo mal. É que, se Deus não fosse bom, não seríamos obrigados também nós a ser bons; se Deus fosse vingativo, também nós podíamos vingar-nos; se Deus não fosse o Deus da justiça e da paz, nós também podíamos roubar, ser corruptos, fazer a guerra, matar em nome de Deus ou invocando o seu nome…

Será que temos meditado suficientemente sobre o que levou Jesus à Cruz? Jesus não morreu na cruz por vontade de Deus. Morreu por vontade dos homens. Jesus não morreu para satisfazer um Deus irado. Morreu pela causa de um Deus bom, amável. Morreu para dar testemunho da Verdade e do Amor: Deus é Amor… e só quer o bem de todos. Quem nunca ouviu falar da parábola do filho pródigo, dos banquetes de Jesus com pecadores públicos, com prostitutas, acolhendo todos em nome de Deus?…

O sofrimento físico, psicológico, moral, de Jesus durante o julgamento, o abandono e a fuga dos discípulos mais próximos, a flagelação, a coroação de espinhos, o caminho do Calvário, aquelas horas de horrores na cruz, é inimaginável. Rezou a Deus, que tratava por “Abbá” (Pai querido), que o libertasse daquele suplício, que se aproximava, sentiu pavor, suou sangue, rezou aquela oração que atravessa os séculos: “Meu Deus, meu Deus, porque é que me abandonaste?”. Mas as últimas palavras foram de perdão e de confiança filial: “Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito.”

Tantas vezes a cruz verdadeira de Cristo foi insultada com cruzes peitorais de ouro com pérolas incrustadas para ostentação de quem as utilizou…

2. Aparentemente, foi o fim. Mas, lentamente, os discípulos — a primeira foi Maria Madalena,, porque amava mais — foram reflectindo sobre tudo o que viveram com Jesus, o que Ele disse, o que Ele fez, o modo como o fez até à morte e morte de Cruz, e foi-se tornando claro para eles, numa experiência avassaladora de fé, que aquele Jesus crucificado para dar testemunho do Deus que é Amor, não podia ter sido devorado pela morte. Na morte, não encontrou o nada, mas o Deus que é a Vida e Amor. Jesus é o Vivente. E reuniram-se outra vez e foram anunciar o Deus que Jesus anunciou, por palavras e obras. Deram testemunho dEle até à morte. “Vede como eles se amam”, diziam os pagãos sobre os cristãos. E uma nova esperança percorreu o mundo. E quando parecia que tudo se afundava, o cristianismo venceu, como sublinhava o ateu religioso Ernst Bloch, por causa desta proclamação: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”.

3. As primeiras comunidades cristãs reuniam-se e celebravam a Eucaristia com alegria nas suas casas, lembrando Jesus, a sua vida, a sua morte, a sua ressurreição, e aunciando a esperança da vida eterna plena: “Fazei isto em memória de mim”.

Mas damo-nos mal com um Deus bom. E, lentamente, porque eram acusados de ateísmo por não oferecerem sacrifícios à divindade, a Eucaristia foi transformada em sacrifício oferecido a Deus, e surgiram os sacerdotes com ordens sacras para oferecerem o sacrifico da Missa, e reapareceram os senhores do Sagrado e as duas classes na Igreja: o clero e os fiéis.

Introduziram-se as cerimónias, com mais ou menos solenidade, das cortes imperiais. O que restou (resta?) da Ceia de Jesus?

 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 15 MAIO 2021

2 comentários sobre “O PERIGO DE UM DEUS BOM

  1. Senhor Anselmo Borges,

    Traga registos de Kristo no tempo dele, fala se muito na nossa Era de coisas que Jesus Kristo nem sonhava, colocam palavras na boca do homem.

    A maior revolução que aconteceu nesta história, foi a Usurpação da religião e Fé por Christo pela Igreja Católica aos Hebreus.

    Nazareth, Roi des Juifs. Beauptum: Jesus Nazarenus, Rex coup de Juiss lurent cette in Judæorum. Hunc ergo titu- scription, parce que le lieu où Jum multi Judæorum

    1697 EXCERTO DO TEXTO – PÁGINA 834
    Le saint Evangile de Jesus-Christ selon Saint Jean, . … 22. en hébreu Golgotha : Luc . … la croix , où estoient poluit fuper crucem . écrits ces mots : JESUS DE Jesus Nazarenus , Rex Erat autem scriptum : NAZARETH , ROY DES Judæorum .

    Lissabon, war lector emeritus, lebte 1612, und schrieb a CRUCE (Ludov.), ein Franciscauer von Braganza, çentiloquio de encomios de los Santos facadas de los ftudirte zu Alcala, war anfänglich Secretarius ben bem General – Procurator, Johann Bapt. moles, evangelios que fe cantan en sus festividades; Sermones de Santos; Sermones parn las tardes de Quaresma; Ma. hernach Probst in der neapolitanischen Landschaft, rial, ro aus 13 Tractaten befiehet. Ant. Terra di lavoro, nach diesem Prior im Nonnen: Klo: fter St. Clara zu Neapolis, ferner Pönitentiarius ju de CRUCE (Perrus), ein spanischer Minorit im Ang Rom, starb endlich als General Prepositus von Neas fange des 16 Seculi, dyrieb de entibus rationis ad polis, zu Saragossa den 15 may 1633. im 67 Jahr, mentem Scoti, und Antiminorica pro claustralibus. und verließ disputationes morales in tres bullas apo Wa. Ant. ftolicas cruciatæ, denen er einen appendicem de ele- de Cruce, oder de la Cruz, (Petr.), ein spanischer &tione opinionum beygefügt; tr. de piis legatis re Dominicaner – Möndi, gegen das Ende des 16 Secus lictis Fratribus minoribus; tr. de jubileo, welcher li, hat bistoria e choronica del orden do fanto Donod, im MSt. Stegt. Ant minge geschrieben, es ficheinet aber, daß in dem Vors de CRUCE, oder Crucius, (Ludov.), ein Portugiesis nahmen ein Fehler eingeschlichen, und an stat Johanscher Jefuite von Lissabon, docirte zu Coimbra die heis nes der Nahne Perrus substituiret worden. Ant. Ech. lige Schrifft und Humaniora, schrieb carminice Pfal. de S. CRUCE (Prosper Publicola), ein Cardinal von mos Davidis, nebst unterschiedenen theatralischen Wera Rom, studirte zu Bononien, hielte daselbst vor dem ten, und starb den 18 Jul. 1604. Ant. Al.

    Portanto temos em Lisboa Cardeais Judeus os Cruzes, eu não invento, mas a Igreja Católica que gosta de falar de Cristo e de todos os ateus, todos da entidade religiosa, empurraram os católicos para fora do sistema, eu era Católico, deixei de ser, hoje sou Cristão e qualquer dia passo a Judeu

    João Felgar

  2. Como pode observar Senhor Anselmo Borges, no tempo de Vimarae ou Vimarana em 965 e antes, a religião era Judaica, os nomes Jacob, David, Levy, Solomon, etc eram Judeus.

    Registo 1

    Historiae ecclesiasticae ex illustriss. Caesaris Baronij
    Abraham Bzowski – 1617
    Vimarae Ifquaria ÉÉÉ duobus, confànguineis nihilofànior cum effet, Regis iuffu carceri mancipatus eft. … In Galliis Lothatio Patrimortuo, filius Ludouicus in Regnum Francorum fucceffit, fub cura Hugonis Ducis,& Emmæ matris,filiæ Ottonis …

    Registo 2

    Honor Regis judicium diligit ; and over his head, Rex David. Beriālus, i. Rex; & per aph. Hebr. Siloh, Gen.49. Judæorum Rex: velut Lat. Silius à Bafilius. Atqui ficut ab ios Auxisse reormaos, ita ab ejus derivato 6105, i. folus(S.141.) ema- 148 naffe certum eft Græc. oños, totus, unde non solùm gókos, i.discus, apud Screv. sed & xómos, magnus, Hebr. KOL, * & Lat.Solus ( Ital. & Hisp. solo, Gall. seul, Angl: Self, Belg. Selve , self, & selfs , Germ.sellijft , & selber) olim ex Festo sollus, quod ofce dicebatur id , quod nos totum vocamus, unde sollers, & follemnis ; aliis folers , & fo- lennis, quode fusè ‘ Voffius. * Eandem profthefin agnoscunt:(1) Græc. drù in Att. xóxv, celeriter. (2)’Aas in Lat. fal( Ital. Sale , Hisp.fal, Gall.sel, Angl.falt, Belg. Sout, Germ.faltz) & Chym. kal. (3) Ab číparos leguminis species, puto effe Græc. xpóxos, & xpóxov, i. avena ,genus frumentaceum, it. herba quædam, Lat. crocus, & crocum , Hebr. KARCOM

    Registo 3

    On the Arch of this Crown is a Cross, whose Front cone tains seventeen Jewels; and on the Top of the Cross are these Words, IHS Nazarenus Rex Judeorum; as also in the Arch or Semicircle, CHONRADUS, Dei Gratia, ROMANORUM IMPERATOR AUG, which supposes the Semi. circle to be added after Charlemaine’s Time, by the Emperos Conrad the First, in the Year 9.12.

    Registo 4 – trago do tempo da Grecia e falam de Judeus

    E R I CI In ejusdem Principio Philologico promiffa
    Α Ν Θ Ρ Ω Π Ο Γ Λ Ω Τ Τ Ο Γ Ο Ν Ι Α
    Sive HUMANÆ LINGVÆ GENESIS
    Partic Primæ Tomus Primus. Vbi de particulis quibusdam, & imprimis de pronominibus tam Græcis,
    quàm Hebraicis & Latinis; Nec non iis, quæ his accidunt, agitur: Tum diversorum etiam idiomatum gloffemara non pauca, quæ indagatorem hactenus deliderarunt, evidenti etymologiâ resolvuntur & dilucidantur.

    VENETIJS, M. DC. XCVIL
    Typis Francisci Tramontini, sumeibus Autoris.

    Superiorum Permiffu , eo Priuilegio.
    Solent initia portendere meliora , dami’ à parvis inchoant , quæ in fequentibus: magna se ada miratione: füsblimant. Caffiodor, Variar..

    João Felgar

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