Diz-se que o tempo sempre se anuncia e com ele se intui o que se pode e o que se não vai poder nunca. É uma espécie de condenação definitiva que se admite de uma forma ou de outra.
E o que fazer do conhecimento dos olhos quando de frente para nós despertam cheios de imensidades e medos e perfumes que se deixam cair por entre lençóis por estrear?
Não há que procurar razões, nem sentá-las em sofá que as sossegue. O território tem a força do aço e a sua violação, implicações fortíssimas na vida-a-vida que se diz não perceber, não designando essa afirmação real estado.
E hesita-se mais e uma vez mais ou, nem se hesita, recusa-se o que em sonho desperto nos mantém aptos a acreditar que poventura um dia será diferente.
A lógica é excessivamente familiar e reduz sempre a metade qualquer coisa por nascer. Assim, e de outras formas, se aceita ser clandestino, junto e para além da fogueira que, quando perto ou por tão perto e de tão perto, se fecham os olhos com a ajuda das mãos porque tão perto é demais.
Logo o silêncio mais profundo apodera-se de nós quando a possibilidade é o calar.
Um dia, um dia de país não esperado, todos os obstáculos são vantagens e enfim de súbito, de jorro, de esperança desalmada, tudo acontece. A densidade é tão segura quanto a dimensão da clareira que ora se permite. O sentido último da vida faz sentido por instantes.
Só o tempo é esquivo. Essoutro coto de vela.
E antes que alguma ausência se sobreponha, antes que outro antes faça face ao que se vive, antes que o futuro possa não acontecer e antes que eu mais não possa, deixa que te diga
Meu amor
Teresa Vieira
Outono (por entre séculos)
