auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Categories

Poesia

POESIA

ODISSEIA (3) 

XI


Em bodas nunca vistas,

antes mesmo da luz no cálice

ser outro tanto ou mais

que uma pomba,

guardou-se o luto

pelo anjo que não morreu

de mal de amores.

XII 

  


Se o meu olhar for capaz de se despojar de si,

terei a prova:

o esquecimento

não existe.

XIII

  


Ainda não preenchi a minha proposta

ao infinito, e se a fizer,

as coisas passam na mesma,

passam,

e eu,

sem entrar nem sair delas,

sem questionar o zero,

sem sequer me aposentar das precauções,

pergunto onde está o mundo que era como este,

onde estão as palavras que saltaram do papel?

XIV 

  


Esprema-se este mundo até que uma gota

caia num outro.

A barca, jovem senhora,

vendida por seu pai, trocada por sua mãe,

desamada por olhos abertos,

largou a águas fundas,

interrogando o único sapato de terra

que lhe permitiria andar descalça.

XV 

  

Há uma robustez

que se expulsa da descrença e se alonga até

ao pátio dos mosaicos que faz

a leitura do deserto

e resiste.

Teresa Bracinha Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *