auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Categories

Poesia

POESIA

  


22.

Entre duas verdades

Opta-se por uma que se não conjuga com nada.

Saudosa,

a que se não escolheu,

ergue-se num instinto que não abdica

de viver


23.

Os deuses gostam de se excluir entre eles,

mas todos lutam pela regência de serem tudo em nós,

e sem limites,

assumindo diversas eternidades


24.

Afinal encanto-me com o que não consegui ver.

As folhas caídas sem alcançar o chão,

o tamanho do sol,

a altura do desconhecimento,

o ar que respiro,

o íntimo,

a luz do carcere,

a febre.

Sim, sou viajante, desconheço como aqui cheguei


25.

Acordo sempre a meio da ponte, sabendo

que fui até ali.

Faltam-me as forças para manter os olhos vestidos

com as batas brancas nas quais creio proteção, mas desconheço,

na sua completude, a razão desta doença.

Afinal a ponte não me distrai

da distância para a cumprir.

Porém, tendo para mim,

como para um centro fundíssimo,

enquanto a irreparabilidade da fraqueza me impede a outra margem.

E desconheço-me ali, no meio da ponte.

E fico naquela espécie de desgosto que me causo e me institui

mendiga da existência,

e sou poeta na idade de um como tal,

no meio da ponte.

Sempre sem me desviar, sem me acobardar.

E pergunto-me:

como é possível a ousadia

de estar ali se me conformo,

se o pano cai sobre o que não aconteceu,

naqueles momentos que registam o meu recolher ao rio

ou o regresso à mesma casa


26.

Desde sempre

o que consola não sacia a pergunta

Teresa Bracinha Vieira

Tags

poemas poesia

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *