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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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PREPARAR O QUE AÍ VEM…


“Um objetivo sem um plano é apenas um desejo”.
Antoine de Saint-Exupéry.

 

Giorgio Agamben deu o grito de alerta em Itália: “corremos o risco de vermos abolido o nosso próximo”. Perante a pandemia e o confinamento chegamos à conclusão de que, em abstrato, é possível funcionar a distância, em linha, sem as relações diretas, olhos nos olhos, mas isso é só em abstrato. É extraordinário podermos contar com a comunicação digital, mas é insuficiente, sobretudo quando falamos das relações humanas, da educação e da cultura, do conhecimento, da sabedoria, mas também da ciência e da técnica. O que tem mais valor não tem preço e o desenvolvimento humano obriga a compreender que a cooperação e a solidariedade são para a humanidade o que a biodiversidade é para os seres vivos. As máquinas não vão substituir o contacto entre seres humanos.

 

Lembrando-me do exercício que tive o gosto de coordenar sobre a definição do perfil dos alunos no fim do ensino obrigatório, não posso esquecer que a liberdade, a responsabilidade e a cidadania, exigem presença, autonomia, risco. É verdade que a situação atual não oferecia alternativa – havia que usar a distância no ensino para salvaguardar a presença futura. Mas importa, desde já, preparar a sequência. Por isso, José Tolentino Mendonça disse: “Não é possível excluir o corpo da escola, pois é através dele que damos significação ao mundo, maturando os diversos saberes e exercitando a responsabilidade pela inteira existência” (Expresso, 30.5.2020). Perante uma situação excecional, tivemos de encontrar respostas excecionais, mas urge agora delinear com inteligência novas saídas. Afinal, se reforçarmos a liberdade e a responsabilidade pessoal podemos combater melhor os efeitos da pandemia, prevenir e salvaguardar a saúde pública e reforçar a cidadania democrática e o desenvolvimento económico.

 

Foi por falta de transparência e descrença na responsabilidade cívica das pessoas e das instituições que muitas soluções falharam. Temos, assim, de reconhecer as virtualidades e as limitações da solução possível encontrada – a distância e o confinamento. Agravam-se as desigualdades, afetam-se os mais frágeis, comprometem-se os níveis mais precoces de aprendizagem. A educação e a escola têm, agora, de corresponder de modo inovador ao desafio atual. Imediatamente, não havia margem de manobra, mas temos de pensar a ligação entre desenvolvimento, saúde pública, liberdade, responsabilidade e cidadania. Veja-se como avançámos na consciência de que o consumismo e a destruição do meio ambiente podem ter respostas positivas, através da equidade intergeracional e da justiça distributiva… Em lugar de uma estratégia defensiva, devemos preparar-nos para não ser apanhados novamente desprevenidos. Importa contrariar os riscos de agravamento das desigualdades e da exclusão – tomando consciência de um dilema paradoxal contemporâneo, entre Cila e Caríbdis, vivemos entre a uniformização e a fragmentação. E Edgar Morin tem insistido na necessidade de tirar lições da brutal situação em que ficámos: quanto de essencial perdemos no culto do acessório, quanta liberdade perdemos no medo. Volto ao tema do perfil do cidadão do século XXI: importa complementar os avanços do mundo digital e do ensino a distância com maior cooperação interpessoal, com os bons efeitos das redes, com o favorecimento da dimensão internacional, contra os egoísmos nacionalistas. O patriotismo cívico e constitucional prospetivo, é essencial, com o cosmopolitismo centrado no respeito mútuo. Urge adequar, na aprendizagem de qualidade, motivação, exigência, trabalho, capacidade de resolver problemas, cuidado, atenção e entreajuda.

 

Se queremos melhor democracia, temos de dar tempo ao tempo, para que a reflexão não seja substituída pela manipulação. É verdade que o ensino, no seu conjunto, pode sair da pandemia mais preparado para aproveitar as tecnologias e as novas correntes de aprendizagem, mas temos de cuidar dos que não podem ser abandonados, favorecendo a criatividade e a cooperação pessoal. No dilema saúde / economia, o valor fundamental é o da vida, da existência, da liberdade, da igualdade e da fraternidade… O capital social e a confiança obrigam ao que Adela Cortina designa como “amizade cívica” (El Pais, 16.5.2020). Só com esta estaremos mais preparados para afrontar próximas epidemias e ameaças de destruição da humanidade… 

 

Guilherme d’Oliveira Martins

3 comentários sobre “PREPARAR O QUE AÍ VEM…

  1. Falam e mencionam do Principezinho conto de Antoine Saint Exupery, esta família casa em Portugal com Nogueira, Noronha, mas quem é este escritor de onde veio, tenho um primo que também escreve livros, contos e todos eles estão intimamente ligados pelo sangue.

    DE SAINT-EXUPÉRY, seigneurs de Miremont et de Jalleyrac, en haute Auvergne. – L’ancien chateau de Saint (1) D. Coll. — Baluze , t. II, p. 317. – Chabrol , t. iv, p. 838. (2) Voyez D. Coll.- Baluze, t. II, p. 776.

    Exupéry, vulgairement appelé Saint-Supéry et Saint-Cipéry, est situé sur une montagne à droite de la route de Bort à Ussel, en Limousin. Il a donné son nom à une antique et noble race, connue dès le onzième siècle, par les dons faits à l’abbaye d’Uzerches, et dont une branche subsiste encore en Périgord. Démembrée de bonne heure, la terre de Saint-Exupéry appartenait en partie , dès le treizième siècle, à la famille de Lavergne (Lavernha), fondue dans la maison de Chalus-Lambron, puis à la maison de Rogier-Beaufort, d’où elle vint aux sires de la Tour.

    Quant à la maison de Saint-Exupéry, elle s’établit en Auvergne, vers l’an 1330, par suite de l’alliance d’Hélie de Saint-Exupéry, chevalier, avec Marthe de Miremont, scur et héritière en partie de Raymond de Miremont, mort sans postérité. Les époux eurent pour enfants :

    1° Guibert, alias Gaubert de Saint-Exupéry qui suivra;
    2° Pierre de Saint-Exupéry, abbé d’Aurillac, mort en 1408;
    3o Ebles, dit Heblet de Saint-Exupéry; to Geraud de Saint-Exupéry. L’un de ces dernier forma la branche établie en Périgord. GUIBERT alias GAUBERT DE SAINT-EXUPÉRY, coseigneur de Miremont, qui vivait de 1350 à 1380, laissa d’Aigline de Rouffignac six enfants :

    1° Pierre de Saint-Exupéry, mort sans postérité;
    2 Hélie II, qui forma le degré suivant;
    3′ Guillaume ile Saint-Exupéry, doven du monastère de Mauriac;
    4 Marguerite de Saint-Exupéry, mariée en 1399 à Guillaume de Scorailles, seigneur de Bourron, en Rouergue;
    5° Marguerite de Saint-Exupéry, alliée en premières noces à Pierre de Vayrac, puis à Raymond de Giscars;
    6° Autre Marguerite de Saint-Exupéry, religieuse à Brageac en 1436. HÉLIE II, DE SAINT-EXUPÉRY, seigneur de Miremont, accorda des investitures féodales à divers particuliers de la paroisse de Jalleyrac les 1er février et 20 novembre 1422 ; fut présent avec Jacques de Saint-Martial, seigneur de Drugeac; Louis de Rillac, chevalier de Saint-Jean-de-Jérusalem ; Begon de Vayrac et Louis de Saint-Christophe, à une transaction passée entre Irlande de Veilhan, abbesse de Brageac, et le curé de Chaussenac, en 1436. Il acquit, le 7 décembre de la même année, de Guy de Saint-Amans, alias Saint-Chamant, Comptour de Scorailles, le mas de Boissières, situé paroisse de Jalleyrac; fit un accord avec Beraud Bardet, le 3 juillet 1445, à raison de la vente que ce dernier lui avait faite des lieux de la Salterie , d’Aiguesvives, de la Rousseyre et de la Hugonie, situés dans les paroisses du Vigean et de Jalleyrac; transigea, le 16 août 1453, avec Hélis de Sartiges, dame du lieu, et Antoine d’Autressal , son fils, au sujet des cens, rentes, bois, droits de pêche et autres que lesdits de Sartiges avaient en divers lieux de la paroisse de Jalleyrac, depuis Brassac et Jalleyrac-le-Vieux jusqu’à la Chapelle-de-Vendes, et il adhéra à une sentence arbitrale , réglant les limites des mêmes lieux, le 14 septembre 1459, 1 épousa demoiselle Jeanne Vayssière, dame du Dognon, près de Pleaux, de laquelle issurent :

    1° Guillaume de Saint-Exupéry, qui suit;
    2° Françoise de Saint-Exupéry, mariée au seigneur de Saint-Chamans. GUILLAUME 1er, DE SAINT-EXUPÉRY, seigneur de Miremont et du Dognon, parut dans l’accord conclu entre son père , et Beraud-Bardet, en 1415, ainsi que dans un échange fait avec Guillaume Bardet, petit-fils du précédent, le 12 août 1457, et fut compris à l’Armorial de 1450. Louis de Scorailles, second du nom, le désigna en 1468 pour l’un de ses exécuteurs testamentaires, conjointement avec Jean de Noailles, seigneur de Montclar et de Chambres. Guillaume de Saint-Exupéry avait épousé, en 1452, Alix ou Hélips d’Estaing, fille de Guillaume d’Estaing , sénéchal du Rouergue, et de Jeanne de Proprières alias Porprières. Il en eut :

    João Felgar

  2. 1° Guillaume II, qui continua la lignée ;
    2° Louis de Saint-Exupéry, chanoine-comte de Lyon;
    3 Antoinette de Saint-Exupéry, alliée en 1481 à Aynar de Noailles , seigneur de Montclar et de Chambres;
    4o Marguerite de Saint – Exupéry, épouse de Guerin de Narbonne, seigneur de Sallèles. GUILLAUME II, DE SAINT-EXUPÉRY, coseigneur de Miremont et du Dognon , épousa, en 1483, Catherine de Favars. Marquis de Scorailles, premier du nom, seigneur de Scorailles, de Roussilhe et de Montpentier, par son testament du 6 décembre 1498, désigna pour exécuteurs de ses dernières volontés, Guillaume de Saint-Exupéry, conjointement avec Louis comte de Ventadour, Guillot de bienne, Rigaud de Pestels et Guy de Tournemire. Guillaume II eut pour enfants :

    1° François de Saint-Exupéry, marié à Françoise de Pestels, et mort sans enfants après l’année 1531;
    2° Guy de Saint-Exupéry, qui forme le degré suivant;
    3° Louis de Saint-Exupéry, archidiacre de Rodez;
    4° Antoine de Saint-Exupéry, chanoine de la même église en 1531;
    5° Marguerite de Saint-Exupéry, épouse de Pierre de Valon, seigneur de Tégra , en Quercy;
    6° Antoinette de Saint-Exupéry, épouse de Foucauld du Saillant, en Limousin (1. GUY DE SAINT-EXUPÉRY, chevalier, seigneur de Miremont, de Favars, de Cheyrols, du Dognon et autres lieux, conseiller du roi, bailli royal des montagnes d’Auvergne à Aurillac, de 1558 à 1562, épousa , le 29 mai 1548, Magdeleine de Saint-Nectaire, cette intrépide amazone du temps de la Ligue, si connue par ses exploits contre le baron de (1) C’est par erreur que Chabrol el Audigier ont classé parmi les enfants de Guillaume de Saint-Exupéry Bernard de Miremont, époux de Barbe de Fraycinel; celui-ci était fils de Guillaume de Mauriac, dit de Miremont, coseigneur de Miremont, d’Ally el de Scorailles, et de dame Louise de Rillac. (Titres originaux.) Voyez MAURIAC.

    Collection des mémoires relatifs à l’histoire de France, .1824
    Il eut pour successeur le vénérable frère Raimond de Felgar , du château de Miremont , prieur provincial des frères Prêcheurs , dans la Provence , et n’eut pe ..

    Histoire de la guerre des Albigeois . 1824
    Il eut pour successeur le vénérable frère Raimond de Felgar , du château de Miremont , prieur provincial des frères Prêcheurs , dans la Provence , et qui fut élu …

    Histoire des institutions religieuses, politiques, Alexandre Louis C.A. Du Mège · 1844
    Raymond de Felgar , ou de Miremont , ancien profès de cet ordre et évêque de Toulouse , y célébra pontificalement la messe , après quoi il passa au réfectoire …

    P. CABAU, Les évêques de Toulouse (IVe-XIVe s.) et les lieux
    de Felgar. XLII. BERTRANDUS II. DE L’ILLE-JOURDAIN, XLIII. Bertrand II de l’Ile Jourdain. XLIII. HUGO IV. … Natif de Miremont (1). Issu de la famille des …

    21 mars 1232 – Raimond du Falga ou de Felgar, né au château de Miremont et provincial des frères prêcheurs, est élu évêque de Toulouse. Il est le quarante-deuxième évêque de Toulouse. Il marche sur les traces de Foulque, son prédécesseur, poursuit avec vigueur les hérétiques et défend avec ardeur les droits de son église. Notes sur l’histoire du Languedoc-Tome 4 P 355- Article Société Archéologique

    O sangue, criou muitas casas e a casa de Exupéry, vem de Miremont e o João Felgar, primo é escritor português que tem bons argumentos.

    João Felgar

  3. José Tolentino Mendonça disse: “Não é possível excluir o corpo da escola, pois é através dele que damos significação ao mundo, maturando os diversos saberes e exercitando a responsabilidade pela inteira existência” (Expresso, 30.5.2020). Perante uma situação excecional, tivemos de encontrar respostas excecionais, mas urge agora delinear com inteligência novas saídas. Afinal, se reforçarmos a liberdade e a responsabilidade pessoal podemos combater melhor os efeitos da pandemia, prevenir e salvaguardar a saúde pública e reforçar a cidadania democrática e o desenvolvimento económico.

    O Senhor José Mendonça, tem que perceber que a vida evoluiu, as tecnologias levaram ao melhoramento à distancia, criaram quebras de barreiras rígidas dos ensinos presenciais que levaram a custos de presença humana incomportáveis, leva a que a sabedoria da nossa inteligência cresça.

    Eu não posso concordar com este Senhor José Tolentino Mendonça, os seus alunos se tiverem aulas presenciais, adquirirem entre 15 a 25% das aulas presenciais, eu quando estudava história, geografia, geologia, todos esses processos errados ou certos, eu não sabia, aprendi a conhecer aquela informação.

    Hoje descubro situações de mentiras sobre a História que aprendi nos livros escolares, tudo uma grande mentira. E fala em melhoramentos da economia e as respostas excecionais, é um chavão que usa, mas para termos economia, precisamos de gente empreendedora, gente que tenha uma visão de economia, a nossa estrutura empresarial das micro, pequenas e médias empresas, vieram de pessoas que não tem o 9 ano, mas criaram postos de trabalho, não foram seus alunos, não.

    O ensino e a aprendizagem, faz se de outro modo e não a presencial como sugere. As vidas das pessoas criaram novas estratégias económicas e melhor desenvolvimento.

    O Senhor Padre José Tolentino Mendonça, fala da economia como se entendesse sobre o assunto, se calhar eu não sei, talvez no Vaticano devam ter Industria, Serviços de desenvolvimento tecnológico, processos de assemblagem e outros processos, falam de coisas da boca para fora.

    As palavras todas elas são ditas com alguma verdade, eu nunca assisti a nenhum padre ligado à processos empresariais, nunca.

    João Felgar

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