A intensidade ímpar que se pode dar a uma linguagem foi e é uma das provas deste poeta de eleição, deste pedagogo de nomeada. E afinal é pelo sonho que vamos, mas por um sonho que também atravessa os próprios angulos bem percepcionados por Mourão-Ferreira ou Régio, ou pela análise de relações intertextuais entre os poemas de Camões e de Sebastião da Gama.
Ainda assim, o tocar verdades incorruptas como o soube fazer o Poeta da Arrabida é decantação de quem está conscio que a sua vida seria efémera, mas lucida na aprendizagem também da morte enquanto confiança na vida.
Os seus poemas e textos constituem uma voz caldeada por múltiplas vozes que se vivem na imensa juvenilidade e maturidade de Sebastião da Gama que morre aos 28 anos sem desalento.
Reclamo aqui Alçada, quando um dia deixou claro, o quanto acreditava no diluvio como acontecimento que permitia ao homem uma aposta nova, um botão por desapertar no fim ou no início da vida.
Recordo aqui umas palavras de um texto meu na procura das chaves que abrissem portas de terra ou aço que me ensinassem a ser mineira do mar. Afinal este meu mar, meu mato de ondas, tão cisma, tão vida inteira, tão momento de sentido, tão apaixonada por ele que dei bem forte o abraço ao poeta que me disse
Vou pelo Mar e levo enclavinhados
Os dedos num pedaço de madeira.
É da quilha, dos remos, ou do mastro?
Seja de aonde seja, se me ensina
Que não desisto de ir ao Mar
SEBASTIÃO DA GAMA
(Cabo da Boa Esperança)
Teresa Vieira
