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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

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(XVI) O Memoralista Bulhão Pato

 

Ironia das ironias! Bulhão Pato é conhecido por algo que não fez, as ameijoas, por um pequeno equívoco, espalhado como falsa notícia. Essas amêijoas não são suas, mas sim uma homenagem (a ele mesmo) do grande João da Matta, o mais célebre dos chefes de cozinha do final do século XIX. Pato era gastrónomo de primeira classe, mas as suas receitas eram de caça, que servia principescamente na casa do Monte da Caparica. Paulo Plantier («O Cozinheiro dos Cozinheiros») dá-nos o menu coevo: Açorda à Andaluza (com azeite Herculano), Perdizes à Castelhana, Arroz opulento e Lebre à Bulhão Pato. Lebres e perdizes são as que Bordalo Pinheiro representa no “Álbum das Glórias”. E João da Matta quis deixar clara a sua admiração pelo seu amigo dedicando-lhe as celebradas amêijoas!

 

Raimundo António de Bulhão Pato nasceu em Bilbau e morreu no Monte da Caparica (1829-1912), viveu a sua infância no país basco. Em 1837, a família veio para Portugal e em 1845 o jovem inscreveu-se na Escola Politécnica, frequentando, desde muito cedo os meios literários, onde conheceu Herculano, Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho… Com Herculano estabeleceu uma relação intensa, patente nas recordações através das quais conhecemos muitos pormenores biográficos do historiador. Como poeta cultivou a influência romântica. Em 1866 publicou a muito celebrada «Paquita». Apesar dos elogios dos seus contemporâneos, foi como memorialista de primeira água que Bulhão Pato se afirmou. Escritor dotado e de pena fácil dedicou-se ao jornalismo. Amigo de Antero de Quental, sobre este disse: «bem no fundo, Antero foi sempre um romântico. Até no morrer como Werther! No temperamento extremamente sensível, o influxo da educação dos primeiros anos e a natureza do País em que nasceu, desenvolveram-lhe a sensibilidade, e a luta constante. (…) O entusiasmo é bom; mas a crítica é melhor – exclamava ele repetidas vezes. E foi sempre muito mais entusiasta do que um crítico; foi, acima de tudo, um poeta, e como poeta fez a sua obra-prima! Ainda bem!».

 

Sobre a viagem de Antero de Quental a Nova Iorque, o relato de Bulhão Pato esclarece tudo a propósito da suposta troca com João de Deus. Antero era amigo próximo de Pato, conviviam, nos anos setenta, às quintas-feiras jantavam. «Comia pouco mais que um pintassilgo na sua gaiola; não o atormentava a digestão, que lhe fora tantas vezes cruel! O exercício da palavra, depois do breve jantar, fazia-lhe bem». Pato admirava-o. Sobre a perfeição da verve disse do poeta micaelense: «a língua, que principiava a ser desfeiteada, respeitou-a ele sempre. Percebeu que quanto houvesse moderno, seguindo todas as correntes, numa evolução progressiva, se podia dar dentro dela”. Também Antero estimava Bulhão Pato, de quem disse, em 1873: «literariamente as tuas sátiras são um verdadeiro triunfo; rigor, concisão, simplicidade, – naturalidade. Tens ali versos que hão de ficar na língua». Era um sinal sincero de amiga bondade. O último encontro que houve entre os amigos foi em setembro de 1885, estava Antero em casa de Oliveira Martins no Porto.

 

A proximidade permite-nos conhecer muitos dos pormenores da vida do mestre Herculano: «viajar (com ele) era, às vezes, ouvir lições de história, na mais elevada, elegante e ao mesmo tempo despretensiosa linguagem”. (…) «Herculano era generoso, mas económico. Comprado Vale de Lobos, aplicou todos os rendimentos ao custeio da propriedade rural e à edificação da casa» (…) «Azeite de prato, como é notório, era coisa que não se conhecia em Portugal”. Foi Herculano quem começou a fabricar o precioso azeite em Vale de Lobos. E Bulhão Pato ainda explica: «Os invejosos mordazes até inventaram que A.H. era homem áspero e brutal no trato. Não conheci ninguém mais sincero, mais simples e ao mesmo tempo mais amorável e sem afetação, delicado».

GOM

 

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2 comentários sobre “MAIS 30 BOAS RAZÕES PARA PORTUGAL

  1. Ai Luís Vaz de Camoens, os portugueses na Republica, como não tem tradição de letras e de poetas, vamos nós buscar a Espanha um grande vulto como Cervantes e outros que os portugueses devem também dar importância a Espanhóis, devem no dar, e são todos Espanhóis, são poetas e outras escritores com importância que nós portugueses da Republica que usurpamos a cultura Espanhola.

    Por isso dizia o Franco para Salazar, Portugal é Espanhol, eu agora digo, Espanha é Província de Portugal, é e o quanto baste a minha palavra vale ouro.

    LVSIADAS DE LVIS DE CAMOENS, PRINCIPE DE LOS POETAS DE …
    Luís de Camões · 1639
    TOMOS TERCERO I QVARTO Luís de Camões … viendo que primero Deus quidem bone mortis venditor , quam ab illo de recibirle no se acusava de aquella …

    LVSIADAS DE LVIS DE CAMOENS, PRINCIPE DE LOS POETAS DE ESPAÑA: AL REY N. S. FELIPE IV. EL GRANDE. Comentadas por Manuel de Faria i Sodra,Cavallero de la Orden de Christo, i de la Casa Real. Contienen Inmas de lo principal de la historia, i Gergrafia del mondozi fingular mente de España:mucha politica excelente, i Catolica;varia moralidad, i dotriana:agoda, i entretenida fátira en comur’a los vicios: de profession los lances de la Roesia verdadera, i grave:i su más alto,i solide pensar. Todo fin salir un solo punto de la idea del alrissimo Poeta. TOMOS TERCERO I OVARTO. CON PRIVILEGIO. EN MADRID. Po luan Sancbez, Impresor. A costa de Pedro Coello,merceg er delibras.

    Lusiada poema epico de Luis de Camoes principe dos poetas de …
    1731
    LUSI A D A POEMA EPICO DE LUIS DE CAMOÈS PRINCIPE DOS POETAS DE ESPANHA, Com os Argumentos DE JOAO FRANCO BARRETTO, Illustrado com Varias, e Breves Notas , e com hum precedente Apparato do que lhe pertence, POR IGNACIO GARCEZ FERREIRA

    1703 Maio 16
    In quorum omnium fidem ac testimonium Nos suprà memorati Plenipotentiarii Sacræ Regiæ Majestatis Magnæ Britaniæ, et Celsorum ac Præpotentium Dominorum Ordinum Generalium fæderati Belgii hoc instrumentum manibus nostris subscripsimus, appositisque Insignium nostrorum sigillis munivimus. Ipsi verò Domini Plenipotentiarii Sacræ Regiæ Majestatis Lusitaniæ, vitandæ controvertiæ causâ, quæ est de loci prærogativa inter Coronas Britanicam et Lusitanicam, pro more consuetudineque inter utramque Coronam observata, separatim alia instrumenta ejusdem tenoris, commutatis tantummodo, quæ ejus rei ergo commutanda erant, subscriptionibus suis, et sigillis appositis munierunt. Ullysipone, die decimo sexto Maii Anno Domini Millessimo septingentessimo tertio. Cum vero hæc conventiones tantum spectent Coronam Lusitaniæ, et Dominos Ordines Generales fæderati Belgii, ideò per Nos solum Plenipotentiarios ejusdem Coronæ, Dominorumque Ordinum Generalium subscriptæ et obsignatæ sunt, idque declarare visum est, Ullysipone die, Annoque ut supra.

    1703 Maio 16

    FOEDUS OFFENSIVUM ET DEFENSIVUM INTER LEOPOLDUM IMPERATOREM ROMANORUM, ANNAM REGINAM ANGLIÆ ET ORDINES GENERALES FOEDERATI BELGII AB UNA; ET PETRUM II REGEM LUSITANIÆ AB ALTERA PARTE INITUM, LIBERTATIS HISPANIARUM ASSERENDÆ, COMMUNISQUE PERICULI TOTIUS EUROPE AVERTENDI, ATQUE JURA AUGUSTISSIMÆ DOMUS AUSTRIÆ IN MONARCHIAM HISPANICAM VINDICANDI. OLISSIPONE 16 MAII 1703.

    O meu sangue dita as regras, dita a verdade, Espanha é Província de Portugal, porque nasci em Portugal e Pedro II de Portugal é meu 9 avô paterno

    Des Fürtrefflichen Königreichs Portugall / Von dessen Ländern und zugehörigen Provinzien, ihrer Situation, Fruchtbarkeit/ Völcker-Art/ und gebräuchlichen Lands: Gewohnheiten. Benebst die succession und klon Folge / aller deren Könige von Anfang ber/ bis auf diesen lekteren jeßtGlor: würdig-regierenden DON PETRO II. mit schönen Kron: Geschichten unter: schiedlichen Veränderungen und Denks würdigkeiten / aud) denen Original Konterfeien der Könige ausgezierat iund Leb Würdig gank neu heraus gegeben. htúrnberg! In Verlegung Joh. Hofmann/ Kunst uno Buchhåndlern.

    João Felgar

  2. No meu Portugal y Espanha, eu quero uma Cultura baseada na Verdade, eu posso ser igual a todos vós como cidadão, mas na Monarquia Tradicional eu vou ser implacável com aqueles que mentem, que inventam coisas, que usurpam e criam outras histórias.

    Irei ser Justo com a História. Eu não quero a Católica na Monarquia Tradicional, não quero os católicos na Monarquia Tradicional que se convertam em Judeus, porque a verdade da história existe.

    Estou cansado de ver a História dos nossos antepassados, serem riscados do mapa, inventarem outras histórias, outros nomes de gentes que nada foram para Portugal y Espanha.

    É triste ver a realidade cultural de Portugal a ser eliminada por textos sem uma ponta de verdade.

    Termos militares, doutores da arte da história, professores de investigação da nossa cultura com mentiras descaradas e nada mas nada acontece a esta gente que Mente.

    A Cultura é o conjunto de vidas, de musicalidade, arte, histórias com fundo de verdade, sem invenções de histórias da carochinha. Na cultura tem que existir forçosamente fundo de verdade, os ensinamentos que a cultura na Republica estão a dar as nossas gerações, é de destruir a nossa base da nossa Cultura que tivemos durante 1166 anos como Reino de Portugal desde 744 da sua criação.

    Eu vou ser implacável com todos aqueles que estragaram a cultura portuguesa aquando nós todos um dia estivermos na Monarquia

    João Felgar

    João Felgar

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