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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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William Blake: um modo de conhecimento da transcendência

 

É sabido que a obra blakeana pressupõe diálogos com os discursos que a precederam, diálogos deste escritor da linhagem dos grandes visionários, com a sua essência íntima, com a sua própria visão da transcendência e da história usando os seus símbolos para questionar a estética da tradicional simbolização.

 

O Primeiro Livro de Urizen, edição bilingue, com tradução e apresentação de João Almeida Flor, é texto esclarecedor do quanto Blake é um fortíssimo percursor do romantismo, também por ver e interpretar a pobreza, a injustiça, a malignidade da sociedade que muitos se recusavam a admitir.

 

Este poeta e artista nasce em Londres em 1757 e inicia os seus estudos de desenho na The Royal Academy tendo escrito e ilustrado inúmeros livros incluindo o “Livro de Jó” da Bíblia. Registe-se que O Blacke Prize for Religious Art é entregue na Austrália anualmente em sua homenagem.

 

 

 

 

Os Livros de Urizen surgem por volta de 1790 numa actividade de fuga ao mundo indiviso da eternidade, e com essa acepção, o caminho de um perpétuo isolamento abre-se em jeito de profecia e numa ruptura inovadora

«Na fundura da minha solidão sombria

Na eterna morada, meu refúgio sacrossanto (…)

Reservado para os dias do porvir,

Busquei uma alegria de dor liberta»

Infelizmente a não tradicional publicação dos livros de Blake leva à consequência da sua raridade, o que agrava a dificuldade de lhe acedermos, ainda que seja mencionada pelos estudiosos de Blake a complexidade de a interpretar, na difícil correlação que o autor faz entre os deuses, os homens e as coisas.

Mas aqui fica o desafio:

«I alone, even I!»

 

Teresa Vieira

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