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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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HERMAN HESSE

 

“Entre os seres humanos, mesmo se intimamente unidos, permanece sempre aberto um abismo que apenas o amor pode superar, e mesmo assim somente como uma passagem de emergência.”

 

Herman Hesse é, nomeadamente, a par de Thomas Mann, o escritor mais lido em língua alemã.

 

Em 1923 este escritor alemão naturalizou-se suíço, tendo vivido em Tesino os últimos quarenta anos da sua vida. De 1960 a 1970 os movimentos pacifistas ajudam a encurtar a distância com que os helvéticos interpretavam Hermann Hesse na qualidade de escritor alemão.

 

Em 1946 o prémio Goeth toca-lhe apenas distanciado uns meses do Nobel da Literatura que igualmente lhe foi atribuído.

 

Hesse também se apaixona pela pintura que fixou a Suíça nas suas imensas aquarelas. Anteriormente uma viagem à India marca definitivamente a sua espiritualidade já distante daquela que quase o fizera pastor, como indicara o seu percurso seminarista. A partir da sua própria revolta pessoal, procura então criar a sua própria filosofia, tendo-se já afastado definitivamente da família e criticado activamente o militarismo.

 

A poesia foi percurso muito grato também a Hermann Hesse entendendo-a como forma de chegar ao núcleo da própria natureza das realidades e propõe

 

A cada chamada da vida o coração

deve estar pronto para a despedida (…).

Dentro de cada começar mora um encanto

que nos dá forças e nos ajuda a viver.

 

E alerta-nos para as várias proximidades e formas de adeus 

 

O apelo da Vida nunca tem fim…
Vamos, Coração, despede-te e cura-te!

 

Creio que ao reler Knulp, romance lido numa edição da Difel, encontrei a transição de um homem para a sua vida adulta, sempre em busca do amor e da própria existência, interpretando o passado até chegar ao que podia ter sido de si mesmo num prenúncio diferente.

 

Na longa caminhada de Karl Eberhard Knulp julgo ter entendido a razão da frase de Hesse  

Ama-me quando eu menos o merecer, porque será nessa altura que mais necessitarei”.

 

Assim também um sentido de vida, um regresso à terra natal, leva Knulp à fragilidade de a si próprio se oferecer abrigo; de afinal preocupar-se para que cada um percorra o seu caminho, e que as certezas residam nas não demasiadas promessas.

 

 

Teresa Vieira

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