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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

A TEORIA DO CISNE NEGRO: COMO NAVEGAR?

  

A Teoria do Cisne Negro de Nassim Taleb explica o quanto os fenómenos imprevisíveis, alteram o nosso equilíbrio a todos os níveis, de psicológico a económico a político.

Nassim Taleb assenta a sua teoria nos exploradores do séc. XVII quando chegaram à Austrália e descobriram que existiam cisnes negros, sendo que até então se presumia que todos eram brancos.

Mas será que hoje, sabendo nós que existem cisnes negros, imaginamos que veremos algum? Talvez o mesmo aconteça com a severa adversidade e o profundo sofrer.

Quase ninguém prevê o que pode acontecer, sobretudo se se tratar de eventos de baixa probabilidade de ocorrência, como na Teoria do Cisne Negro.

Todavia, os epidemiologistas têm alertado para o surgimento de pandemias, o que implica que a comunidade científica não viveu a recente pandemia sob a teoria do Cisne Negro. O mesmo acontece com o aumento do terrorismo entre outras realidades complexas para as quais as mentes já devem estar preparadas.

Todos sabemos que de um modo ou de outro o mundo é imprevisível. Ainda assim, parece que o nosso cérebro não está precavido para a mudança que desestabiliza e surpreende o enfrentar.

Também se desconhece como deixar dentro de nós espaço para o caos. Para a possibilidade da tragédia.

Talvez por isso, as rotinas nos soam a estabilidade familiar.

Mas se tudo era incerteza agora é ansiedade.

O medo tudo envolve na aceleração exagerada da vida. No mundo paira o medo: medo de falta de dinheiro, medo da doença, medo de sair e socializar, medo da solidão, medo de tudo o que possa ruir numa relação, medo de perder a hiperconetividade, medo das deslealdades, enfim, medo.

Dirá Nassim Taleb, que se na resiliência continuamos apesar dos apesares, na antifragilidade continuamos por causa dos apesares.

A antifragilidade é o que desperta a mola propulsora que aprende a se sobrecompensar.

Não se escolhe não sentir para não sofrer, mas sim, existe uma aceitação, um aprendizado, uma evolução, um convite para navegarmos diante de uma nova realidade.

O que turba são as fantasias e «o que é» em vez de «o que devia ser».

 

Teresa Bracinha Vieira

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