auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Categories

Poesia

POESIA

ODISSEIA (5)


XXIII

A morte é a raiz que lhe falta dentro e fora dela.

A morte só se apoia.


XXIV

Numa pausa concertada.

O olhar longe

numa ideia que é parte

de cá e de lá.

O olhar

numa entrega sem nada mais.

Sem a pergunta desnecessária.

Estorvo.


XXV

Também nos aproximamos de tudo o que inaugura um novo adeus,

um novo adeus que é apenas parte intermédia,

parte encurralada, insegura e ainda assim

experiência.


XXVI

  


De quantas vidas necessitamos para que se cumpra

uma morte?

Talvez se algo mudasse de sentido,

o pudéssemos saber,

mas sempre

a meia distância

de tudo.


XXVII


A morte tem de ser inteira,

sem fraude.

Os fantasmas que se passeiam nas ruas de nós,

conhecem

o quanto as mortes são

nossas experiências desarmantes,

o quanto não basta

cronologicamente arrumar

as circunstâncias.


XXVIII

A eternidade também nos esquece.

Sobretudo se já tivermos iniciado

a abolição dos pretextos,

esses mesmos que não aprenderam a morrer

nem a viver.

Teresa Bracinha Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *