auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Categories

Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

Não fui eu e ainda não sou tudo está por caminhos do ainda.
Cada coisa é parte de outra.
Que acesso me dá a solidão? O SMS? 

  


Precisamos que nos aceitem como somos no convívio e no silêncio e nada disto se transmite por SMS.

Insistir que nem sequer se ouça o timbre da nossa voz quando comunicamos com outros é sermos humanos ou é o início do fim do trajeto de quando o fomos?

Ausculte-se a mesa! que pode ter pieira na proximidade de a ela nos sentarmos.

Essa a opção que escolhemos? Essa a nossa nova sensibilidade? Tudo infirme e súmula que a vida do humano assim se persigna?

Parece também que a maioria anda sempre em trânsito; trânsito parado, ou em suposto compasso de ida.

Uma outra maioria toma o caminho dos elefantes e comovem-se e comovem-me ao atravessarem por uma outra entrada.

E os que se julgam de saúde muito rija, e os que muito trabalham para fugir do que os espera, e os que não registaram o quanto o egoísmo lhes eliminou as companhias, e os das muitas pertenças às famílias de grande ou pequena animação – sempre expostas pelo ângulo correto -, tudo enfim, a sobreviver na linha que reparte e parte o que com arte divide os pés nus sobre inúmeros gumes e algumas alegrias, e ainda assim, basta o uso do SMS nesta profunda transformação comportamental que aceitamos.

Ouvi que a lúcida solidão, sentiu que é bem chegada a sua hora de sucesso, a sua hora de acesso à busca de um sentido, de um compromisso de saúde mental que restaure o quanto antes do covid ainda se jogava ao pião de muitos modos, seduzidos numa atividade lúdica que se deixou de viver, e nada deste universo que eramos e ainda nos resta no estar aí, se transmite por short message service.

Não fomos nós e ainda não somos, tudo está pelo caminho do ainda não próximo do Outro, e cada coisa é parte de outra e também é notícia o anúncio da passagem de um astro a quem se deve a gratidão imensa do nosso percurso até Pitágoras.

Teresa Bracinha Vieira

Tags

2 comentários sobre “CRÓNICA DA CULTURA

  1. Que o Outro nos permita a transformação interior e o tempo de vida necessários para agradecer a tantos astros que nos foram indicando o nosso percurso até Pitágoras.

    1. Muito agradecemos a sua expressa menção à frase que cita do nosso texto.
      A leitura e a sua comunicação ao Outro serão sempre o grande caminho.
      Bem-haja!
      TBV

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *