
Em todos os seus poemas a evidente corporalidade espiritual da sua escrita é transposta como quando a água faz figuras.
Nítida, a sua atenção ao pormenor, é um modo de doer a fluir como um bálsamo que também dói, e também faz parte da alegria.
Bem-haja Adélia Prado!
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
Ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e fez o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
Somos noivo e noiva.

Teresa Bracinha Vieira
Parabéns a Adélia Prado! A voz mais feminina da poesia brasileira!
Contrapondo aos poemas que aqui visualizo, relato a autêntica história portuguesa do porco barrasco, cuja família muito estimo e admiro.
Levava as amantes para o histórico Pinhal, para executarem o programa que ele desejava. Um dia, a esposa, de tão magoada, atreveu-se a um queixume. Nessa noite, levou-a a ela para o Pinhal para executar o tal programa, ela executou-o e a partir daí nunca mais se queixou que ele tivesse amantes.
Agradecemos a sua atenção ao nomearmos com honra Adélia Prado!
TBV