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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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ADÉLIA PRADO – PRÉMIO CAMÕES 2024


Em todos os seus poemas a evidente corporalidade espiritual da sua escrita é transposta como quando a água faz figuras.

Nítida, a sua atenção ao pormenor, é um modo de doer a fluir como um bálsamo que também dói, e também faz parte da alegria.

Bem-haja Adélia Prado!


Casamento

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

Ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como “este foi difícil”

“prateou no ar dando rabanadas”

e fez o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

Somos noivo e noiva.

 

Teresa Bracinha Vieira

2 comentários sobre “ADÉLIA PRADO – PRÉMIO CAMÕES 2024

  1. Parabéns a Adélia Prado! A voz mais feminina da poesia brasileira!
    Contrapondo aos poemas que aqui visualizo, relato a autêntica história portuguesa do porco barrasco, cuja família muito estimo e admiro.
    Levava as amantes para o histórico Pinhal, para executarem o programa que ele desejava. Um dia, a esposa, de tão magoada, atreveu-se a um queixume. Nessa noite, levou-a a ela para o Pinhal para executar o tal programa, ela executou-o e a partir daí nunca mais se queixou que ele tivesse amantes.

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