FRAGMENTOS
Podemos dizer que a beleza das ruínas reside no facto de serem fragmentos, e que estes pressupõem um enorme conhecimento, e a eles podemos aludir sem ter de explicitar as suas referências às totalidades.
Nas ruínas há coisas que se perderam e há também muitos silêncios, muitas existências e muitas perspetivas assumidas nos fragmentos.
Na realidade, as ruínas expõem o que resta do que em tempos existiu, e é por aí que lhes somos tão sensíveis e que as lemos tão bem nas mutilações que expõem, nos profundos clarões dos fragmentos.
Os fragmentos também são uma realidade-espaço transformada em tempo e tudo num aconchegamento de significados.
Os fragmentos colecionam mundo-viagem e confrontam-nos com as naves espaciais que nos levam para longe de tudo na ideia louca de que esta ideia, no fundo, sabe mais do que nós e acedeu ao seu lugar.
Os fragmentos dão-nos a sua vida indissoluvelmente subjetiva e corporal.
Nada há de inexato ou de incompletude nos fragmentos sejam eles lágrima ou pedra, beijo ou ideia.
Sentir que as coisas talvez pudessem ter sido diferentes num outro qualquer nó, num outro qualquer um quando somos todas as coisas, é trajetória, é bravura, é experiência, é uma aventura até onde e aonde possamos estar preparados.
Teresa Bracinha Vieira
Obrigada!
“… estar preparados” Eis a questão!
Peço-lhe que me diga, se tenho exagerado no número de comentários ou na extensão dos mesmos. Mais uma vez, obrigada!
Muito grata pela atenção ao texto.