Quero morar (…) num mundo onde chover é a maior felicidade. E onde todos chovemos.
Mia Couto
Preservar o que faz de nós humanos é também conhecer o poder indubitável que cada um de nós tem para mudar o mundo no qual podemos projetar um futuro promissor.
Há, sim, há em nós um robusto dia que nos faz despoletar a esperança numa outra labuta, numa outra razão que não permite, de todo, que se rasgue o tecido humano ou que se pactue com o método do caos.
Acreditar que os amigos e familiares estão disponíveis para nós, e para o mundo também, tem um impacto muito significativo nas nossas forças, já que a esperança está fortemente ligada ao sentido da vida e envolve uma força emocional que deseja que algo de bom aconteça.
Recordamos que para Kierkegaard, a esperança é uma das mais dignas paixões do homem e cultiva-se com amor, com coragem e com responsabilidade.
Mas há que estar atento, e estar atento é, mais do que nunca, um trabalho de salvação.
Não será fácil, mas todos podemos ser capazes de querer dizer realmente aquilo que dizemos e, num esforço maior, recuperar a contenção e as obrigações mútuas.
E conseguiremos, sim, conseguiremos criar mais transparência e maior respeito aos direitos e deveres nas democracias, sempre imperfeitas, ou não buscassem que o nosso esforço as aperfeiçoasse, que a nossa sonolência não as desprotegesse.
E voltamos a afirmar que devemos estar atentos, pois o lixo acendeu-se para poluir o pensar numa hostilidade total aos valores da razão, e consegue-o se aceitarmos que todos nascemos inexplicavelmente perversos.
Há que retomar fôlego e nunca desistir da defesa radical da liberdade humana.
Há que construir fundações sólidas, destinadas a sobreviver a quem nos quer colonizar o mar, o ar, a vida.
Camus sempre acreditou que a generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente, dependendo este de uma vida vivida com consciência e propósito.
E tal como Mia Couto nós queremos
morar (…) num mundo onde chover é a maior felicidade. E onde todos chovemos.
Teresa Bracinha Vieira