Existe muito mal no mundo, mas a força que se ergue perante ele é poderosa e inspiradora; mesmo quando frágil, ela sempre ecoa, carregada de esperança nos momentos de maior incerteza e medo.
Mas esta esperança não deve ser mal interpretada.
Esta esperança não é um mero desejo oco e passivo; ela é consubstanciada no empenhamento e na ação, e só os seus atos inspiram outros.
Na verdade, todos podemos ser mensageiros da esperança através das nossas posturas; com elas se prova que ela não é uma fantasia, uma utopia, um disfarce de fuga à realidade, uma falha de coragem ou algo a que nos agarramos apesar dos factos.
A esperança é um alerta de que é preciso trabalho para que aquilo que desejamos aconteça.
É certo que nem sempre podemos agir, mas ainda assim podemos sentir esperança. Ela pode sobreviver numa cela.
A esperança é um poder para a nossa continuidade; é algo muito humano, a ser compreendido; ela é uma viagem contagiosa pelas improbabilidades da vida.
A esperança não nega as dificuldades nem os perigos que existem, mas ela não se deixa imobilizar por eles.
A esperança tem um impacto profundo na nossa felicidade, na nossa saúde, nos nossos sucessos.
Desgostos profundos, dores e desesperos podem levar-nos a sentir que perdemos a esperança, que desistimos dela definitivamente por já não vislumbrarmos luz em tanta escuridão; mas o que sentimos é, na verdade, uma falta de apoio, uma falta de ar em nós, uma fadiga que, temporariamente, impede que nos chegue aquela vitória que se constrói todos os dias.
Temos, sim, de encontrar o meio certo de transmitir às pessoas o quanto cada uma tem um papel a desempenhar, com o impacto cumulativo de milhões de pequenos atos que fazem a diferença com a qual chegaremos a um mundo melhor.
E que venha o outono, que venham os seus magníficos tufos dourados e nós, de novo, a construir a casa que nos espera para uma festa de irmãos.
Recomecemos.
Teresa Bracinha Vieira