Em escrito, publicado neste blogue, escrevi:
Sendo a língua portuguesa um idioma intercontinental, transnacional e global, com centenas de milhões de falantes, na sequência da sua disseminação no decurso de séculos, verifica-se que tendo tido como ponto de partida Portugal, na Europa, está hoje predominantemente implantada fora da Europa, com especial incidência na América do Sul e África. Indicia-se, assim, que a maior consolidação e expansão da presente e futura globalização da língua portuguesa será revitalizada de fora da Europa para outros continentes, nomeadamente via Brasil, “o imenso Portugal”, cantado por Chico Buarque, país de escala continental e potência emergente”.
Acrescentando:
“Tendo como referência, no mundo ocidental, a liderança atual dos Estados Unidos da América, pode-se concluir que são e serão os descendentes da velha Europa imperial os novos impérios linguísticos do futuro. O que, por analogia, está a suceder com a língua portuguesa, com perspetivas de reforço” (A Língua Portuguesa no Mundo, XII – Da Europa Imperial aos Novos Impérios Linguísticos).
A que acresce uma bipolarização do português baseada numa distribuição desproporcionada em termos demográficos, geográficos e territoriais dos seus falantes dentro e fora da Europa caraterizando-se, crescentemente, como uma língua não europeia, não obstante a sua génese europeísta, sendo dona e senhora de quem a fala, e não apenas nossa.
Indicia-se que daqui a 70/80 anos o total da população africana de expressão portuguesa será de 330 ou 320 milhões, de 280 milhões segundo projeções oficiais da ONU, maior do que a brasileira.
E se é graças ao Brasil que hoje o português é tido como uma das sete línguas de comunicação global, o seu crescimento contínuo em África reforça-o ainda mais, indicando as estimativas que será o continente africano a assumir, de futuro, o maior protagonismo e liderança.
Seja, por agora, o Brasil o grande motor e o mais eficaz e melhor exportador e vendedor da língua portuguesa, ou o conjunto dos países africanos de língua portuguesa (em especial Angola) no futuro, indicia-se, em qualquer caso, que são e serão os sucessores e antigos colonizados da velha Europa imperial os novos e vindouros impérios linguísticos.
Joaquim M. M. Patrício
Crónica A Língua Portuguesa no Mundo CXX